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sala — internet nas escolas vira debate urgente

Tema ganhou força após audiência na Câmara sobre conexão em escolas públicas e uso do Fust até 2031. Entenda o que está em jogo.
sala — internet nas escolas vira debate urgente

Tema ganhou força após audiência na Câmara sobre conexão em escolas públicas e uso do Fust até 2031. Entenda o que está em jogo.

A palavra sala entrou em alta nas buscas nesta semana em meio ao debate sobre internet nas escolas públicas, discutido na Câmara dos Deputados na quarta-feira (27), em Brasília. O foco da audiência foi a conectividade em sala de aula e a defesa da prorrogação do uso de recursos do Fust para instalar e manter rede nas unidades de ensino do país.

Segundo representantes do governo e do setor de telecomunicações, mais de 100 mil escolas públicas já têm internet hoje, e a meta é alcançar todos os 138 mil estabelecimentos em breve. O tema chama atenção porque a autorização atual do chamado Fust Direto termina em dezembro de 2026, e parlamentares querem estender esse mecanismo por mais cinco anos, até 2031.

Por que “sala” está em alta no Brasil?

A busca por “sala” parece ter sido impulsionada pela discussão sobre sala de aula conectada, um assunto que mexe com milhões de estudantes, professores e famílias. Na prática, o debate trata de algo bem concreto: sem conexão estável, a escola perde acesso a plataformas educacionais, conteúdos digitais, sistemas de gestão e ferramentas básicas de aprendizagem.

Durante a audiência pública da Comissão de Comunicação, o secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Hermano Tercius, afirmou que todas as escolas públicas brasileiras devem estar conectadas em breve. Ele disse que cerca de 30 mil unidades já têm instalação contratada, enquanto os órgãos responsáveis trabalham para garantir os contratos das 8 mil restantes.

Além da internet, o governo também quer ampliar a presença de computadores nas escolas. De acordo com o secretário, a prorrogação do uso dos recursos do Fust ajudaria a equipar as unidades de ensino, um desafio estimado em cerca de R$ 2 bilhões. A ideia é não apenas levar sinal, mas garantir condições reais para o uso pedagógico da tecnologia.

O que é o Fust e por que ele virou peça central?

O Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações, o Fust, arrecada aproximadamente R$ 1 bilhão por ano, segundo o presidente do Conselho Gestor do fundo, Nilo Pasquali. Hoje, metade desse valor pode ser destinada a projetos não reembolsáveis, como a conectividade escolar.

Uma lei em vigor desde 2021 permitiu que empresas de telecomunicações executassem projetos aprovados pelo conselho do fundo e descontassem os custos do valor devido ao próprio Fust. Esse modelo, conhecido como Fust Direto, foi apontado na audiência como decisivo para acelerar a conexão das escolas.

Segundo Marcos Ferrari, presidente da Conexis Brasil Digital, até 2022 nenhum centavo do fundo havia sido efetivamente aplicado. Agora, de acordo com ele, os recursos já permitiram conectar 19 mil escolas públicas, sendo 17 mil delas por meio do Fust Direto.

Como a política de conectividade avançou nas escolas?

A coordenadora-geral de Educação Digital, Inovação e Conectividade do Ministério da Educação, Ana Úngari dal Fabbro, relatou que, quando o programa Escola Conectada foi lançado, em setembro de 2023, o próprio poder público ainda não tinha um mapa preciso de todas as escolas do país. Em áreas remotas, havia unidades difíceis até de localizar.

Segundo ela, esse cenário mudou. Hoje, os órgãos envolvidos sabem quais escolas têm internet e monitoram a qualidade da conexão em tempo real. Antes da política pública, apenas 48% das escolas estavam conectadas; agora, esse índice chegou a 72%. O avanço inclui escolas do campo, em territórios indígenas e quilombolas, o que dá uma dimensão mais ampla de inclusão digital.

Esse ponto importa especialmente quando se fala em desigualdade educacional. Para estudantes LGBTQ+ que vivem em contextos conservadores ou isolados, a internet muitas vezes funciona como ponte para informação, acolhimento, redes de apoio e acesso a conteúdos sobre direitos, saúde mental e diversidade. Quando a escola pública consegue oferecer conexão de qualidade, ela amplia repertórios e reduz barreiras que não são apenas tecnológicas, mas também sociais.

O que o Congresso pode decidir agora?

A deputada Maria Rosas, relatora do projeto que prorroga o Fust Direto, afirmou que a proposta já reúne as assinaturas necessárias para tramitar com urgência. O texto foi apresentado pelo deputado Juscelino Filho e pretende estender o modelo até 2031.

Na audiência, a parlamentar defendeu a união entre Ministério das Comunicações, MEC e operadoras para levar conexão aos lugares mais distantes do Brasil. A avaliação dos participantes foi de que interromper esse mecanismo agora pode comprometer a continuidade da política de educação conectada justamente quando ela começa a ganhar escala nacional.

Na avaliação da redação do A Capa, discutir internet em sala de aula é discutir cidadania no presente, não uma promessa de futuro. Num país em que jovens LGBT+ ainda enfrentam solidão, desinformação e desigualdade territorial, garantir conectividade na escola pública também significa ampliar acesso a conhecimento, proteção e pertencimento. O desafio, claro, não termina com o sinal ligado: é preciso assegurar qualidade, equipamentos e uso pedagógico com inclusão.

Perguntas Frequentes

O que é o Fust Direto?

É a modalidade que permite às empresas de telecomunicações executar projetos aprovados com recursos do Fust e descontar esses custos do valor devido ao fundo.

Quantas escolas públicas já têm internet no Brasil?

Segundo os dados apresentados na audiência, mais de 100 mil escolas já têm internet, e o índice de conectividade chegou a 72% das unidades.

Por que a prorrogação até 2031 está sendo defendida?

Porque a autorização atual acaba em dezembro de 2026, e participantes do debate afirmam que a continuidade do modelo é essencial para concluir a conexão de todas as escolas e ampliar a oferta de computadores.


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