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Samuel Godois: ator da Baixada celebra identidade e arte em Marginal Genet

Expulso de casa por ser gay, Samuel encontra na arte um espaço de resistência e reinvenção na peça Marginal Genet
Samuel Godois: ator da Baixada celebra identidade e arte em Marginal Genet

Expulso de casa por ser gay, Samuel encontra na arte um espaço de resistência e reinvenção na peça Marginal Genet

Samuel Godois, ator nascido e criado na Baixada Fluminense, vive um momento transformador em sua carreira com a estreia nacional da peça Marginal Genet. Inspirada na vida do dramaturgo francês Jean Genet, a montagem tem conquistado público e crítica, trazendo à tona temas urgentes como poder, marginalidade e identidade – assuntos que reverberam profundamente na trajetória pessoal e artística de Samuel.

Da rejeição familiar à força das margens

O caminho de Samuel não foi fácil. Criado em um lar evangélico, ele enfrentou o duro abandono ao se assumir gay na adolescência. “Fui expulso de casa com apenas cinco sacolas nas mãos, sem móveis, sem apoio. Vivi de favor, de casa em casa, sem saber o que o amanhã me reservava”, revela. Essa experiência de exclusão e resistência se conecta diretamente com a história de Jean Genet, que também viveu à margem da sociedade e transformou sua existência em arte.

Para Samuel, a identificação não é apenas temática, mas vital. “Esses personagens marginais sempre foram apagados da história oficial, mas são eles que revelam o que a sociedade tenta esconder. Falar de Genet hoje é falar dessas vozes que insistem em existir, apesar de tudo”.

Marginal Genet: uma celebração da diversidade no palco

A peça, que já passou pelo Rio de Janeiro e agora é sucesso em São Paulo, é um mergulho nas complexas relações de poder, submissão e domínio, explorando a sensualidade e a vulnerabilidade dos personagens que transitam no submundo. “O espetáculo desvela essas máscaras sociais que usamos e convida o público a encarar o que está oculto”, explica Samuel.

Para ele, atuar nesses papéis é uma licença poética que permite explorar camadas profundas do ser humano, especialmente aquelas que a sociedade prefere ignorar. “Personagens perfumados não me dizem muita coisa; eu quero o real, o cru, o que não tem filtro”.

Reinvenção e esperança: arte como resistência

Além do teatro, Samuel também atua como barbeiro, profissão que abraçou após sair de um emprego estável para buscar seus verdadeiros sonhos. Recentemente, ele gravou uma websérie em que interpreta um advogado viciado em jogos, ampliando seu alcance artístico para as telas digitais.

Com uma carreira em ascensão, o ator quer inspirar outras pessoas da periferia e da comunidade LGBTQIA+. “Minha trajetória mostra que é possível, mesmo quando tudo parece conspirar contra. A cultura e a arte são caminhos de transformação e pertencimento”.

Apesar do sucesso, Samuel ainda sente o silêncio familiar. Seus pais optaram por não assistir à peça devido à temática forte, e o irmão não teve a oportunidade de ir. Mesmo assim, ele mantém a serenidade e a esperança, sabendo que sua arte pode abrir portas para futuras gerações.

O improvável acontece

Em uma cidade que descobriu com surpresa e carinho, São Paulo, Samuel encontrou no Teatro Ruth Escobar um espaço emblemático, onde a própria história de Jean Genet foi celebrada décadas atrás. “Fui abraçado pelo público daqui de uma forma que me emociona profundamente”, conta.

Uma frase que ele ouviu certa vez, enquanto esperava um ônibus, resume sua jornada: “Nunca duvide. O improvável também acontece.” E foi essa crença que o guiou desde os dias difíceis até os palcos onde hoje celebra sua identidade e sua arte, representando não só a si mesmo, mas toda uma comunidade que resiste e floresce.

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