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Seis Meses no Prédio Rosa e Azul: coprodução brasileira brilha em Cannes

Longa sobre memórias LGBTQIA+ do diretor Bruno Santamaría Razo estreia na Semana da Crítica
Seis Meses no Prédio Rosa e Azul: coprodução brasileira brilha em Cannes

Longa sobre memórias LGBTQIA+ do diretor Bruno Santamaría Razo estreia na Semana da Crítica

O cinema LGBTQIA+ brasileiro ganha mais um marco importante com a coprodução Seis Meses no Prédio Rosa e Azul, que está entre os longas selecionados para a prestigiada Semana da Crítica no 79º Festival de Cannes, na França. Inspirado nas memórias do diretor mexicano Bruno Santamaría Razo, o filme traz uma narrativa sensível e íntima ambientada na Cidade do México, no início dos anos 1990, e aborda temas universais como descoberta da identidade, amizade e o impacto da epidemia de HIV na vida de uma família.

Uma história de afeto, dor e celebração

Em Seis Meses no Prédio Rosa e Azul, acompanhamos a infância do jovem Bruno, que ao completar 11 anos percebe pela primeira vez sentimentos afetivos pelo melhor amigo, Vladimir. Esse despertar coincide com a notícia devastadora do diagnóstico de HIV do pai, colocando a família diante de uma dura realidade. Em meio à dor, a música e a dança salsa se tornam uma forma de resistência, um refúgio para celebrar a vida e o afeto que os une.

Trinta anos depois, o diretor resgata e reimagina essas memórias com um olhar delicado e poético, filmando em 16mm para trazer uma textura nostálgica que conecta passado e presente. O filme é uma verdadeira ode à memória afetiva e ao poder da arte para transformar traumas em narrativas de esperança.

Força da coprodução brasileira e impacto cultural

O longa é fruto de uma colaboração intensa entre México, Brasil e Dinamarca, com uma significativa participação brasileira que destaca o talento nacional em todas as etapas da produção. As produtoras brasileiras Rachel Daisy Ellis e Camille Reis lideram a equipe, e a pós-produção foi realizada majoritariamente no Brasil, envolvendo profissionais como a editora Marília Moraes, o compositor Leo Chermont e a desenhadora de som Miriam Biderman.

Além disso, o ator brasileiro Demick Lopes integra o elenco, dando ainda mais representatividade à coprodução. Essa união internacional reforça a importância de fortalecer vozes LGBTQIA+ no cinema global, trazendo histórias que refletem diversidade, identidade e resistência.

Premiações e estreia em Cannes

A estreia mundial do filme acontecerá no dia 19 de maio, no Espace Miramar, durante a Semana da Crítica. Além de competir na mostra paralela mais renomada do Festival de Cannes, Seis Meses no Prédio Rosa e Azul disputa os cobiçados prêmios Queer Palm, dedicado a obras com temática LGBTQIA+, e a Camera d’Or, que premia o melhor primeiro longa-metragem.

A distribuição no Brasil ficará por conta da Fistaile, enquanto as vendas internacionais são conduzidas pela Luxbox, ampliando o alcance dessa produção que certamente marcará o cinema queer contemporâneo.

Este filme não é apenas uma obra audiovisual; é um manifesto poético que conecta gerações LGBTQIA+ através da memória, da música e do afeto. É uma celebração da coragem de ser e amar em tempos difíceis, que ressoa profundamente em nossa comunidade.

Seis Meses no Prédio Rosa e Azul mostra como o cinema pode ser um espaço seguro para revisitar o passado e construir narrativas de pertencimento e resistência. Ao trazer essa história para um palco tão importante como Cannes, o filme reafirma a potência e a necessidade da representatividade LGBTQIA+ no audiovisual mundial.

Para a comunidade LGBTQIA+, este longa é um convite à reflexão sobre nossas próprias histórias, sobre as dores que atravessamos e as celebrações que nos mantêm vivos. É também um sinal claro de que o cinema queer brasileiro tem voz, talento e um lugar de destaque no cenário global.

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