Grupo une comunidade LGBTQIA+ em trilhas nas montanhas de Monterrey, México, promovendo ativismo e inclusão pelo esporte
Monterrey, no norte do México, é uma cidade marcada por sua indústria e tradição conservadora, mas também por sua imponente Sierra Madre Oriental, que a cerca com montanhas e cerros deslumbrantes. Em meio a esse cenário, onde direitos LGBTQIA+ como o casamento igualitário e a identidade de gênero ainda são garantidos apenas por decisões judiciais, surgiu em 2022 um movimento que vem conquistando espaço e corações: o Senderismo LGBT.
Este grupo pioneiro convida pessoas LGBTQIA+ de todas as idades e identidades a explorar as trilhas naturais de Monterrey, transformando o ato de caminhar na montanha em um gesto político, comunitário e de afirmação identitária. Liderado por Dany Hikes, experiente guia com mais de 15 anos de prática, o Senderismo LGBT é muito mais do que aventura: é um espaço seguro onde o corpo, a mente e a diversidade são celebrados.
Um espaço que responde a uma necessidade de pertencimento
Dany Hikes percebeu que os grupos tradicionais de caminhada não ofereciam o acolhimento necessário para pessoas LGBTQIA+. “Sentia que faltava conexão e segurança nos ambientes que frequentávamos. Por isso, quando lançamos a convocatória para o Senderismo LGBT, a demanda foi imediata”, conta.
Dani CyC, que entrou no grupo sem experiência prévia, encontrou ali não só a chance de praticar esporte, mas também de criar laços afetivos e se sentir em casa em uma cidade onde ainda se sente a falta de espaços inclusivos. “Aqui encontrei uma comunidade que me acolhe e me fortalece”, diz.
Montanha como território queer e libertador
Para o grupo, a montanha representa um refúgio e uma forma de resistência. “Reivindicamos esses espaços que historicamente nos negaram. Quando chegamos, tomamos conta com nossa presença, nosso jeito, e mostramos que pertencemos”, explica Dany Hikes.
Dani CyC destaca a conexão profunda com a natureza: “A montanha é queer, não segue binários. Estar nela é reafirmar que somos parte da diversidade do mundo, assim como as plantas e animais que ali vivem.”
Transformação pessoal e coletiva pelo contato com a natureza
O impacto do Senderismo LGBT vai além do físico. Para muitos, é um processo de cura e empoderamento. Pessoas que chegaram tímidas e isoladas hoje formam amizades sólidas e relatam melhora na saúde mental. “Aqui, cada um pode ser quem é, livre de julgamentos”, afirma Dany.
Dani reforça que construir essa comunidade não é natural nem fácil, mas um trabalho constante de escuta, aprendizado e cuidado mútuo. O grupo mantém um regulamento baseado no respeito e na inclusão, com apoio profissional para garantir um ambiente seguro e acolhedor.
Ativismo e visibilidade nas trilhas
Para as lideranças, o senderismo é também um ato político. Em tempos de ataques diretos aos direitos das pessoas trans e outras identidades, ocupar as montanhas e o esporte é resistir. “Não vamos nos calar nem desaparecer. Estamos aqui, fortes e visíveis”, afirma Dany.
Dani destaca o poder da visibilidade coletiva: “Estar em grupo dificulta a discriminação. Nossa alegria e liberdade inspiram outros a se juntarem.”
Convite para a comunidade LGBTQIA+
Dany convida todas as pessoas a experimentarem o senderismo: “A montanha não discrimina, ela acolhe quem estiver disposto a respeitar e se abrir para essa experiência. É um esporte acessível e transformador.”
Dani reforça: “Aqui você encontra uma comunidade que acolhe e conecta. É uma oportunidade para se sentir parte, para celebrar nossa diversidade e nossa força.”
O Senderismo LGBT em Monterrey é mais que um grupo de caminhada: é um movimento que reafirma a existência e a resistência LGBTQIA+ em um território que nem sempre foi acolhedor. Ao unir esporte, natureza e ativismo, o grupo cria um espaço de pertencimento, cura e visibilidade, mostrando que a montanha é um lugar para todxs.
Na comunidade LGBTQIA+, iniciativas como o Senderismo LGBT representam a potência de transformar espaços naturais em territórios de liberdade e acolhimento. A montanha, símbolo de resistência e diversidade, espelha a luta diária por reconhecimento e respeito. Cada passo nas trilhas é uma declaração de que o corpo queer merece existir e florescer em todos os ambientes.