Em Itaewon, a parada de drag da capital sul-coreana celebra identidade, resistência e amor LGBTQIA+ sob a garoa
Mesmo sob a garoa fina que caiu em Seul, a parada de drag da capital sul-coreana brilhou intensamente, mostrando a força, a arte e a diversidade da comunidade LGBTQIA+. Na movimentada região multicultural de Itaewon e Haebangchon, reis, rainhas e aliados se uniram para celebrar a autenticidade e o orgulho queer em meio a um cenário que, historicamente, tem sido conservador e resistente a essas expressões.
Expressões de coragem e cultura
Reunidos em frente ao Rabbithole Arcade Pub, um ponto de encontro querido da comunidade LGBTQIA+, drag queens com roupas exuberantes e detalhes brilhantes dividiram espaço com drag kings e jovens portadores da bandeira do orgulho, que exibiam com orgulho suas identidades e expressões de gênero. A parada, que começou logo após a chuva cessar, se revelou como uma manifestação potente contra o silêncio e a invisibilidade.
Ali Vera, cofundadora da Seoul Drag Parade, compartilhou que o objetivo do evento é muito mais do que entretenimento: “Queremos que a arte do drag seja parte do cotidiano cultural, não algo escondido ou tolerado à margem”.
A luta queer em um país conservador
Desde sua primeira edição em 2018, a Seoul Drag Parade tem sido uma plataforma para visibilizar a comunidade LGBTQIA+ e exigir direitos em um ambiente político ainda bastante conservador para uma nação tão tecnológica e globalizada. Hurricane Kimchi, ativista e cofundadora, reforçou a importância dos espaços seguros para o fortalecimento da identidade queer na Coreia do Sul.
O evento acontece tradicionalmente em outubro, mês de feriados importantes como o Chuseok e o Halloween, e neste ano coincidiu com o Dia da Fundação Nacional, momento simbólico para reforçar que pessoas LGBTQIA+ fazem parte da história e da construção do país.
Celebrando a liberdade e resistência em Itaewon
A parada, escoltada por policiais locais, percorreu as ruas vibrantes de Itaewon e Haebangchon, embaladas por hits queer e de artistas populares, enquanto espectadores entre admirados e curiosos registravam o momento. “Itaewon é um dos principais centros da cultura queer em Seul, é onde podemos sentir essa liberdade”, explicou Ali Vera, destacando que ali o preconceito é menor que em outras áreas da cidade.
Para os organizadores, todas as reações são válidas e fazem parte do processo de mudança. “Sair da invisibilidade para ser visto é o primeiro passo para transformar a realidade”, afirmou Hurricane Kimchi.
Comunidade, representatividade e futuro
Luna Jones, artista drag e cadeirante, ressaltou a importância da parada como um espaço de representatividade e acolhimento. “A comunidade queer foi fundamental para minha sobrevivência e motivação aqui na Coreia”, disse emocionada.
Durante todo o mês de outubro, a Seoul Drag Parade seguirá com atividades culturais, como sessões de cinema e shows de drag, ampliando o alcance e o impacto desse movimento. O compromisso com a luta por direitos como a igualdade no casamento e a descriminalização da homossexualidade no serviço militar permanece firme.
Essa celebração de arte, resistência e alegria reafirma que a Seoul Drag Parade é muito mais que um evento anual: é um farol de esperança e transformação para a comunidade LGBTQIA+ da Coreia do Sul e um convite para que todos celebrem a diversidade com orgulho e coragem.
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