Festival do Rio estreia produção que aborda amor, racismo e carreira de ator negro e LGBTQIA+ em São Paulo
O Festival do Rio prepara uma estreia que promete mexer com o coração e a mente do público LGBTQIA+. A série AYÔ, criada, roteirizada e protagonizada por Lucas Oranmian, apresenta uma narrativa potente sobre as vivências de um homem negro e gay que luta para conquistar seu espaço na cena artística de São Paulo contemporânea.
Com seis episódios planejados para lançamento no final de 2025, a produção mergulha nas nuances da vida de Ayô, um ator baiano que enfrenta os desafios do racismo estrutural, as complexidades dos relacionamentos amorosos e as dificuldades inerentes à carreira artística no Brasil. A série traz uma abordagem sensível, mostrando o protagonista não apenas como símbolo de resistência, mas como alguém que vive dilemas comuns — desde conflitos afetivos até decisões profissionais e financeiras.
Um retrato íntimo e coletivo
Lucas Oranmian, ao criar AYÔ, quis dar voz a uma história que foge dos estereótipos e das narrativas que reduzem personagens negros a lutas pela sobrevivência. “Queria interpretar um cara com problemas comuns, como dilemas amorosos, decisões de carreira, até questões de grana, e não alguém lutando apenas pela sobrevivência. Para atores negros, isso ainda é transgressor”, afirma o criador.
A produção conta ainda com um elenco diverso e talentoso, incluindo nomes como Breno Ferreira, Aretha Sadick, Gilda Nomacce, Caio Blat, Tania Toko e Lázaro Ramos. A direção geral está a cargo da talentosa Yasmin Thayná, enquanto Gabriel Bortolini assina a produção, formando um núcleo de jovens criadores negros empenhados em fortalecer narrativas que equilibram vulnerabilidade e resistência.
Representatividade com estilo e propósito
Para Bortolini, colocar um homem negro e gay no centro da trama é uma escolha que vai além da estética: é um posicionamento político. “AYÔ mira um público amplo e prova que narrativas negras e LGBTQIA+ podem disputar mercado com linguagem, ambição e qualidade”, destaca o produtor, enfatizando a importância de uma equipe diversa para dar sustentação ao projeto.
O enredo acompanha Ayô em sua busca por amor e aceitação, especialmente após desentendimentos com Manu, que o levam a se aventurar nos aplicativos de relacionamento, onde conhece João, com quem cria uma conexão instantânea. Profissionalmente, ele encara a dura realidade de ser um artista negro em uma sociedade ainda marcada pelo racismo, enquanto reflete sobre sua identidade e seu lugar no mundo.
Exibição e detalhes técnicos
O Festival do Rio exibirá os três primeiros episódios da série, dando visibilidade a essa produção que promete ser um marco no audiovisual brasileiro com protagonismo negro e LGBTQIA+. A equipe técnica conta com profissionais como Gabe Gomez na direção de fotografia, Roberta Bonoldi na montagem e Vanessa Rodrigues na direção de arte, garantindo uma experiência visual e sonora que dialoga com a profundidade da história.
AYÔ é mais do que uma série; é um convite para refletir sobre representatividade, amor, arte e resistência negra LGBTQIA+ no Brasil de hoje. Prepare-se para se emocionar, se identificar e celebrar essa produção que chega para ampliar o olhar sobre as múltiplas identidades que formam nossa cultura.
Que tal um namorado ou um encontro quente?


