A cidade que sonhou com praias urbanas, teatros futuristas e shows de Lady Gaga às margens do Guadalquivir
Existe um universo paralelo onde as margens do rio Guadalquivir, em Sevilla, fervilham de vida, cultura e lazer: onde uma piscina fluvial convida ao banho, onde cúpulas futuristas abrigam espetáculos de teatro, dança e música, e onde estrelas internacionais como Lady Gaga e Beyoncé se apresentam em um imenso auditório ao ar livre. Mas essa realidade não passou de um sonho. Na Sevilla real, esses ambiciosos projetos culturais e de lazer nunca saíram do papel.
O sonho da piscina fluvial e o legado da praia de María Trifulca
Durante décadas, a ideia de criar uma piscina fluvial no Guadalquivir voltou e voltou, como um desejo coletivo de reapropriação do rio como espaço de convivência e diversão. Inspirada na antiga praia de María Trifulca, que existiu até os anos 60, a proposta mais marcante foi do ex-prefeito Alejandro Rojas-Marcos, que em 1999 prometeu construir uma piscina fluvial nos arredores de San Jerónimo. A ideia era criar um espaço natural de lazer com ondas artificiais e áreas de areia, reunindo a comunidade em contato direto com seu rio.
Apesar do entusiasmo, o projeto jamais foi concretizado. Outros prefeitos também retomaram a ideia, como Juan Ignacio Zoido, que chegou a anunciar duas piscinas fluviais, mas, até hoje, Sevilla segue sem esse espaço tão sonhado, enquanto o Guadalquivir permanece mais como cenário passivo do que palco ativo da cultura e do lazer.
Odeón Imperdible: três cúpulas que nunca brilharam
Em 2019, a cidade viu surgir uma proposta ousada: o projeto Odeón Imperdible, idealizado para transformar a rua Torneo em um polo cultural vibrante com três cúpulas geodésicas. Uma delas abrigaria um teatro para 600 pessoas, outra seria destinada a shows menores e a terceira funcionaria como espaço social e de convivência. O investimento estimado era de 500 mil euros, e a expectativa era que o projeto estivesse pronto ainda em 2019.
Apesar da licença concedida e da apresentação oficial, as cúpulas nunca foram erguidas, e o Odeón Imperdible virou mais um dos sonhos culturais que ficaram no papel. O Guadalquivir, ali, seguiu indiferente, sem o brilho que poderia ter recebido dessas estruturas futuristas.
Sevilla Park: o palco que não recebeu Lady Gaga
Entre os projetos mais ambiciosos estava o Sevilla Park, idealizado como o maior centro comercial da Andaluzia, com um auditório para até 21 mil pessoas – maior que o lendário O2 Arena de Londres. Os responsáveis prometiam shows de artistas internacionais como Lady Gaga e Beyoncé, transformando a cidade em um polo de grandes eventos musicais.
Localizado próximo ao muelle del Centenario, o complexo contemplava áreas comerciais e o auditório multiuso, com investimento previsto de 180 milhões de euros. No entanto, mesmo com promessas e anúncios oficiais, o projeto nunca saiu do papel. O palco que poderia ter recebido algumas das maiores estrelas da música mundial não passou de uma ideia vaga, e Sevilla perdeu uma oportunidade rara de se destacar no cenário cultural internacional.
O rio que nunca foi: um convite à reflexão e à reinvenção
O Guadalquivir, que corta o coração de Sevilla, carrega em si um potencial imenso para ser muito mais do que um simples elemento paisagístico. Os projetos de piscina fluvial, cúpulas culturais e grandes auditórios são provas de que a cidade sonhou e ainda pode sonhar com um futuro onde o rio seja palco de cultura, lazer e conexão comunitária.
Para a comunidade LGBTQIA+ e todos que valorizam espaços públicos inclusivos e vibrantes, esses sonhos frustrados são também um chamado para que a cidade repense o uso de suas margens. Que Sevilla possa, em breve, transformar o Guadalquivir em um espaço de encontro, celebração e diversidade, onde todos sintam-se acolhidos para dançar, se banhar, assistir a um show ou simplesmente viver a alegria da cidade às margens do seu rio.
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