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Show de Liniker em Cuiabá celebra resistência trans em Mato Grosso

Show de Liniker em Cuiabá celebra resistência trans em Mato Grosso

Apresentação histórica da cantora trans inspira e representa a comunidade LGBTQIA+ local

O Festival Baguncinha, que acontece na Arena Pantanal em Cuiabá, marca um momento histórico para a cena cultural e para a comunidade LGBTQIA+ de Mato Grosso com o show de Liniker, uma das maiores artistas brasileiras da atualidade. Liniker, cantora, compositora e atriz, é a primeira mulher trans brasileira a vencer um Grammy Latino e agora estreia na capital mato-grossense, trazendo não apenas sua arte, mas uma poderosa mensagem de resistência e representatividade.

Um marco para a representatividade trans

Para artistas locais como Alyssa Fresh e Cris Chaves, a presença de Liniker no festival vai muito além de um espetáculo musical: é um ato político e uma inspiração para quem luta para viver da arte em um estado que ainda enfrenta desafios estruturais e preconceitos. Alyssa, enfermeiro, drag queen e DJ, destaca a importância de ver um corpo trans preto ocupando um palco principal em Cuiabá. “Ver um corpo igual ao seu fazendo arte inspira meninos e meninas trans a acreditarem que podem viver da arte, e não apenas sobreviver na margem”, relata emocionado.

Além disso, Alyssa compartilha sua conexão profunda com Liniker, que a acompanha diariamente e serve como guia para seu processo artístico e de autoconhecimento. Ter Liniker cantando em sua cidade é um presente que representa esperança e força para muitos artistas independentes como ele.

Força coletiva e luta por espaço

Cris Chaves, homem trans, cantor e multi-instrumentista, reforça a dimensão coletiva do show. “Ver ela no palco é uma forma de me sentir parte também. Eu luto para estar nos palcos, e quando uma artista trans conquista esse protagonismo, é como se todos nós estivéssemos lá”, afirma. Ele ressalta que o reconhecimento de Liniker como artista do ano é uma vitória não só para ela, mas para toda a comunidade trans, que muitas vezes sofre invisibilidade.

Ambos concordam que a presença de Liniker no Baguncinha desafia a cena cultural local e abre caminhos para que a diversidade seja finalmente vista e valorizada. A juventude cuiabana ganha a chance de enxergar outras formas de expressão e de acreditar em futuros possíveis.

Resistência e afirmação política

O impacto do show transcende a arte: é uma afirmação política de visibilidade e existência. “Liniker está fazendo o Brasil engolir a nossa existência”, destaca Cris, reforçando que, embora Liniker seja uma exceção brilhante, ainda há um longo caminho para que outros artistas trans conquistem espaços e estruturas reais de apoio.

O show de Liniker em Cuiabá representa resistência, orgulho e a celebração de uma comunidade que segue batalhando por reconhecimento e dignidade. É um momento para celebrar conquistas, fortalecer laços e inspirar novas gerações a ocuparem os espaços que lhes pertencem.

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