Coletivo celebra corpos e identidades LGBTQIA+ em desfile que une drag, estilo e representatividade
Na noite do dia 17 de abril, o porão da New Africa House, em Amherst, Massachusetts, se transformou em um espaço vibrante para a expressão queer com o primeiro desfile oficial do coletivo Shape Inclusive Queer Fashion (SIQ). Fundado recentemente, o grupo já vem conquistando seu espaço ao celebrar a diversidade corporal e a pluralidade das identidades LGBTQIA+ na moda.
Batizado como “SEASIQ”, o evento foi muito mais que um desfile tradicional: foi um encontro onde moda e drag se entrelaçaram para desafiar os padrões rígidos da indústria e abrir caminhos para uma representação mais autêntica e inclusiva. Com uma proposta interativa, o público foi convidado a participar da passarela, quebrando barreiras entre modelos e espectadores e fortalecendo o senso de comunidade.
Uma viagem pelo oceano da identidade e expressão
O desfile se estruturou em três atos, cada um inspirado nas profundezas do mar, explorando temas que vão da superfície até as camadas mais misteriosas do oceano. No primeiro ato, a praia e seus elementos — como conchas, estrelas do mar e penas coloridas — ganharam vida em looks que celebravam a alegria e a descoberta. Um destaque foi a fantasia repleta de penas que remetia ao papagaio Polvo, personagem icônico da cultura pop, evidenciando a importância dos acessórios e da maquiagem para a autoexpressão e confiança.
O segundo ato mergulhou na figura mítica da sereia, símbolo de liberdade, beleza e possibilidades infinitas, especialmente dentro da cultura queer. A performance trouxe à tona o poder da transformação, com um modelo que desfez sua cauda para revelar pernas humanas, evocando a quebra de limites e a afirmação da identidade além do binarismo de gênero.
Na sequência, o “Deep Sea” apresentou uma atmosfera mais etérea e misteriosa, iluminando apenas os detalhes essenciais das fantasias. Inspirado em elementos como a pérola mãe e águas profundas, o ato destacou a beleza que reside no desconhecido, convidando o público a enxergar a escuridão como espaço de poder e revelação. A presença de um modelo com espinhos nas costas e movimentos que ressaltavam a coluna vertebral reforçaram a estética sublime e a força do coletivo.
Desafiando hierarquias e celebrando a autenticidade
Um dos grandes méritos do SIQ Fashion Show foi justamente romper com as hierarquias tradicionais da moda, onde o acesso e o prestígio muitas vezes são controlados por códigos e exclusões. Sob a direção criativa de Harrison Wright, o evento priorizou o engajamento real e a participação de todos, incluindo pessoas sem experiência prévia em passarela, que foram convidadas a desfilar com seus próprios looks, ampliando a noção do que significa ser modelo e criar moda.
Além disso, o desfile incorporou a cultura ballroom e a presença do drag queen Faye King, que se apresentou em três momentos do evento, conectando as raízes da performance queer com a moda contemporânea e mostrando como essas expressões são fundamentais para desafiar normas e construir novas narrativas.
Moda como afirmação e resistência queer
Em um momento tocante, uma modelo exibiu um papel com a palavra “freak” (esquisito), símbolo do estigma imposto a quem foge do binarismo de gênero e das expectativas sociais. Em resposta, ela distribuiu imagens de criaturas marinhas, propondo uma nova leitura da identidade baseada na diversidade e nas maravilhas da natureza, celebrando o que é único e fora dos padrões.
Esse gesto foi um lembrete poderoso de que a moda, quando guiada pela autoexpressão e pelo acolhimento, pode se tornar uma ferramenta de empoderamento e transformação social, especialmente para a comunidade LGBTQIA+. O SIQ Fashion Show, mesmo com recursos limitados e sem financiamento oficial, mostrou que a força do coletivo e a vontade de criar espaços seguros e inclusivos são capazes de construir pontes e ressignificar o que significa estar na moda.
O SIQ Fashion Show reafirma que a moda queer não é apenas estilo: é um ato político, uma celebração da diversidade e um convite para que todas as pessoas se vejam refletidas e valorizadas. Em tempos de tanta exclusão, iniciativas como essa são um sopro de esperança e resistência, inspirando nossa comunidade a continuar ocupando espaços e transformando o mundo com autenticidade e orgulho.
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