Novo filme dos Smurfs encanta crianças, mas tropeça em representatividade de gênero, raça e corpo
O filme Smurfs (2025) chega como um reboot da famosa franquia dos pequenos seres azuis, trazendo uma mistura ousada de estilos de animação que mesclam 2D, 3D, claymation e até elementos inspirados em anime e pixel art. Essa criatividade visual é um dos pontos altos da produção, que transporta o público desde a vila dos Smurfs até uma Paris vibrante, em cenas que combinam animação com live-action.
Apesar do apelo visual e da trilha sonora divertida, o filme deixa a desejar quando o assunto é representatividade, algo cada vez mais valorizado pela comunidade LGBTQIA+ e público que busca diversidade real nas telas.
Gênero: estereótipos e poucas vozes femininas
O longa mantém a tradição da franquia, concentrando a maioria dos personagens principais no universo masculino, enquanto a personagem feminina de maior destaque, Smurfette — interpretada pela cantora Rihanna — acaba reduzida a um papel de apoio emocional para o protagonista masculino, No Name. Outras personagens femininas, como Vanity e Moxie, reforçam estereótipos tradicionais: vaidade excessiva, preocupação com a aparência e roupas femininas clássicas. Mesmo com breves participações de mulheres fortes e engraçadas, o roteiro não lhes dá espaço para protagonizar suas próprias histórias, o que torna a narrativa limitada para quem busca representatividade feminina genuína.
Raça e etnia: um universo azul pouco diverso
Em relação à diversidade racial, o filme permanece em um cenário quase monocromático, com os Smurfs azuis dominando a tela e humanos brancos aparecendo apenas em cenas rápidas. A escalação de vozes revela alguma diversidade, com a presença de artistas de ascendência asiática e negra, mas elas ficam restritas a personagens secundários ou vilãs, sem impacto significativo na trama. Essa escolha reforça a sensação de um mundo pouco inclusivo e distante da pluralidade que o público LGBTQIA+ e aliados esperam ver refletida no entretenimento infantil.
Corpo e imagem: mensagens que preocupam
Embora o filme evite cenas explícitas de gordofobia, diálogos pontuais sobre dieta e corpo reafirmam padrões negativos, como quando personagens mencionam querer ser magros ou criticam o corpo de outros. Para famílias LGBTQIA+ que acompanham seus pequenos, especialmente crianças em fase de formação de autoestima, essas mensagens podem ser prejudiciais, reforçando preconceitos já enraizados na sociedade. É fundamental que produções infantis caminhem para a inclusão corporal, celebrando a diversidade de formas e tamanhos sem julgamentos.
Presença LGBTQIA+: avanços tímidos
Um ponto positivo fica por conta do trabalho do ator JP Karliak, que é genderqueer e dá voz aos irmãos vilões Razamel e Gargamel, promovendo a representatividade nos bastidores da dublagem. Contudo, o filme não oferece uma gama de personagens LGBTQIA+ para equilibrar possíveis estereótipos relacionados aos vilões, deixando a presença queer restrita e pouco explorada na narrativa.
Conclusão: diversão para os pequenos, mas falta profundidade
Para crianças, o filme pode ser um entretenimento visualmente atraente, como comprovou a reação do público infantil presente nas sessões. Ainda assim, para o público LGBTQIA+ e famílias que buscam conteúdo que dialogue com diversidade real, Smurfs (2025) fica aquém das expectativas. A produção é um convite para refletir sobre a importância de histórias que não só encantem, mas também representem e acolham todas as identidades, corpos e vivências. No mundo atual, onde cada vez mais vozes pedem espaço, é essencial que até os filmes infantis deem passos mais firmes rumo à inclusão.
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