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snake — cobras nadadoras ameaçam Ibiza

Vídeo confirma avanço de serpentes invasoras entre ilhotas de Ibiza e acende alerta ecológico na Espanha; entenda o caso.
snake — cobras nadadoras ameaçam Ibiza

Vídeo confirma avanço de serpentes invasoras entre ilhotas de Ibiza e acende alerta ecológico na Espanha; entenda o caso.

Snake virou assunto em alta no Brasil após repercussão internacional de um vídeo que mostra uma cobra-ferradura nadando entre Ibiza e a ilhota de Santa Eulària, nas Ilhas Baleares, na Espanha. O registro, feito em abril de 2024 e destacado agora por pesquisadores e pela imprensa europeia, reforça o avanço de uma espécie invasora que ameaça diretamente os lagartos nativos da região.

A cena pode até parecer curiosa à primeira vista, mas o pano de fundo é grave. Segundo biólogos que acompanham o caso, a chegada da cobra a novas ilhotas abre uma frente inédita de pressão sobre o lagarto-de-Ibiza, espécie endêmica que já sofre forte declínio populacional e entrou na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza como ameaçada de extinção.

Por que o caso de snake está chamando atenção?

O que colocou o tema no radar foi a confirmação visual de algo que pescadores, turistas e especialistas já suspeitavam havia algum tempo: as cobras estão nadando com frequência entre trechos de mar para ocupar novos territórios. O vídeo registrado por um agente ambiental local mostrou uma cobra-ferradura cruzando cerca de 450 metros de água entre a costa leste de Ibiza e a ilhota de Santa Eulària.

De acordo com Oriol Lapiedra, biólogo do Centro de Pesquisa Ecológica e Aplicações Florestais da Catalunha, esse foi o primeiro registro sólido desse deslocamento por nado. A descoberta foi publicada recentemente na revista científica Ecology e ajuda a explicar por que áreas antes vistas como refúgios naturais para os lagartos deixaram de ser seguras.

A cobra-ferradura, espécie não venenosa comum no sul e no leste da Espanha continental, apareceu em Ibiza há cerca de duas décadas. Pesquisadores atribuem sua chegada ao transporte de oliveiras antigas levadas da península para decorar propriedades de alto padrão na ilha. Troncos ocos e cavidades dessas árvores teriam servido de abrigo para serpentes em hibernação e até para ovos.

Como as serpentes invasoras afetam os lagartos das Baleares?

O impacto é profundo. Hoje, a cobra-ferradura já está presente em pelo menos 90% de Ibiza. Ao longo desse avanço, passou a predar o lagarto-de-Ibiza, um animal simbólico da ilha e peça importante do equilíbrio ecológico local. Além de controlar populações de insetos, inclusive pragas agrícolas, esses lagartos também ajudam na polinização de flores e na dispersão de sementes.

Há ainda uma perda evolutiva difícil de medir em números. Cada ilha e ilhota do arquipélago abriga populações com características próprias, incluindo variações de cor como verde, azul, preto, marrom, cinza e laranja. Quando uma dessas populações desaparece, some junto uma linhagem única, construída ao longo de milhares de anos.

Os dados mais recentes mostram a dimensão do problema. Segundo o governo regional das Baleares, mais de 3.500 cobras-ferradura foram capturadas em Ibiza apenas no último ano. Desde 2016, já são mais de 16 mil exemplares eliminados. Mesmo assim, as projeções indicam que a espécie pode ocupar 100% da ilha até o fim de 2027.

Os pesquisadores também observaram mudanças físicas nas cobras em Ibiza. Enquanto no continente elas costumam ser mais magras e raramente passam de 1,8 metro, na ilha já foram encontrados exemplares com mais de 2 metros e peso 2,5 vezes maior do que o de indivíduos da península. Em outras palavras, trata-se de uma população que não apenas se estabeleceu, mas prosperou.

O que já se perdeu — e o que ainda pode ser salvo?

O cenário em algumas ilhotas é devastador. Em Santa Eulària, por exemplo, pesquisadores registraram 72 lagartos em 2016. Em 2023, viram apenas três. Hoje, populações únicas de lagartos em 10 ilhotas já foram extintas. A cobra-ferradura também foi detectada em Formentera, ilha vizinha, o que amplia o alerta para todo o arquipélago pitiuso.

Para tentar evitar um colapso ainda maior, foi criado no zoológico de Barcelona um programa de reprodução em cativeiro descrito como uma espécie de “arca de Noé”. O projeto reúne lagartos de oito populações diferentes e, segundo os pesquisadores, vem apresentando bons resultados iniciais. Ainda assim, o tamanho reduzido das ilhotas e a voracidade das serpentes tornam o quadro bastante delicado.

Curiosamente, algumas das populações mais seguras de lagartos em Ibiza hoje estão em áreas urbanas. Segundo Lapiedra, isso acontece porque as cobras acabam atropeladas com mais frequência e também são mortas por moradores que não gostam delas. Não é uma solução planejada de conservação, mas um efeito colateral da ocupação humana do espaço.

Na avaliação da redação do A Capa, o caso de Ibiza mostra como decisões humanas aparentemente decorativas podem desencadear crises ambientais duradouras. Embora o tema não tenha relação direta com direitos LGBTQ+, ele conversa com uma pauta cara ao nosso público: a defesa de vidas vulnerabilizadas, da ciência e de políticas públicas baseadas em evidências. Quando um ecossistema perde uma espécie única, perde-se também memória, diversidade e futuro.

Perguntas Frequentes

A cobra-ferradura de Ibiza é venenosa?

Não. Segundo os pesquisadores citados na reportagem, a cobra-ferradura é uma espécie não venenosa, mas isso não reduz seu impacto sobre a fauna local.

Por que o lagarto-de-Ibiza é tão importante?

Porque ele é uma espécie endêmica e exerce funções ecológicas essenciais, como controle de insetos, polinização e dispersão de sementes.

As cobras realmente nadam entre as ilhas?

Sim. Um vídeo gravado em 2024 confirmou uma cobra nadando cerca de 450 metros entre Ibiza e a ilhota de Santa Eulària.


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