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Sonntags-Club em Berlim: refúgio queer em risco por cortes de verba

Centro histórico para mulheres e pessoas FLINTA* enfrenta ameaça de encerramento em meio a cortes no orçamento
Sonntags-Club em Berlim: refúgio queer em risco por cortes de verba

Centro histórico para mulheres e pessoas FLINTA* enfrenta ameaça de encerramento em meio a cortes no orçamento

Desde os anos 1980, o Sonntags-Club é um dos espaços mais antigos e importantes para a comunidade LGBTQIA+ em Berlim, especialmente para mulheres lésbicas, bissexuais e pessoas FLINTA* (mulheres, lésbicas, trans, intersexo, não-binárias e afins). Localizado no bairro de Prenzlauer Berg, o clube não é apenas um ponto de encontro, mas um verdadeiro centro de apoio, autoajuda e resistência, carregando uma história que atravessa os tempos da Alemanha Oriental (RDA).

Um espaço de acolhimento e resistência

Helene Morgenstern Lu, veterinária e voluntária do clube desde 2018, conta que o Sonntags-Club é mais que um local para socialização: é um refúgio seguro onde pessoas LGBTQIA+ podem se encontrar, trocar experiências e se fortalecer. “Para mim, o clube é como uma extensão da minha casa, um espaço de confiança e amizade”, afirma Helene, que divide sua vida entre Berlim e uma pequena cidade no sul de Brandemburgo.

O clube promove uma série de atividades, com grupos de autoajuda e encontros temáticos, como o Frauen*Lesben*-Freitag, uma noite dedicada exclusivamente a mulheres e pessoas não-binárias lésbicas e bissexuais, onde homens cis não são permitidos, garantindo um ambiente seguro e acolhedor.

A ameaça dos cortes e o impacto para a comunidade

Apesar da relevância histórica e social, o Sonntags-Club está enfrentando um grave risco: no projeto de orçamento para 2026/27 da cidade de Berlim, a verba destinada a uma das principais vagas de apoio ao clube foi cortada, ameaçando diretamente a continuidade do Frauen*Freitag e outras atividades voltadas para mulheres e pessoas FLINTA*. A notícia caiu como um choque para voluntárias e frequentadoras, que temem o desaparecimento de um dos poucos espaços do gênero na capital alemã.

Helene destaca que a manutenção do clube depende fundamentalmente do trabalho voluntário, mas que há funções, como a organização do Frauen*Freitag, que não podem ser supridas sem financiamento. “Sem essa estrutura, perderíamos algo essencial para a diversidade e o suporte dentro da comunidade queer em Berlim”, lamenta.

O papel do voluntariado e a importância da representatividade

Voluntária no bar do clube, Helene revela a alegria e o sentido que encontra em seu trabalho, que vai além de servir bebidas: “A gente cria uma atmosfera, acolhe as pessoas e constrói um ambiente onde todas se sentem vistas e valorizadas”. Para ela, o voluntariado é um ato político e afetivo, especialmente em um espaço que é um marco para a comunidade LGBTQIA+ da antiga Alemanha Oriental.

Helene também ressalta a importância de apoiar eventos e movimentos LGBTQIA+ fora dos grandes centros urbanos, como na cidade onde mora em Brandemburgo, onde não há Parada do Orgulho. Ela participou do CSD em Cottbus, na região, e acredita que fortalecer essas redes é fundamental para derrubar o isolamento e ampliar o alcance do ativismo e do acolhimento.

Uma resistência em tempos difíceis

O momento político atual, marcado por retrocessos e cortes em políticas públicas voltadas para a diversidade, torna ainda mais urgente a mobilização em defesa do Sonntags-Club. Para Helene e muitas outras, o clube é um símbolo de resistência, um espaço que não pode ser simplesmente descartado em nome de ajustes orçamentários.

Ela conclui: “O Sonntags-Club é um ancoradouro em meio às mudanças e incertezas da vida, um lugar de pertencimento que deve continuar existindo para as próximas gerações”.

Este alerta sobre o Sonntags-Club reflete um desafio maior que a comunidade LGBTQIA+ enfrenta: a luta constante por espaços seguros e financiados, onde identidades possam florescer e se fortalecer. Em tempos de incerteza política, preservar esses locais é preservar a própria história e o futuro da diversidade. O Sonntags-Club não é só um clube; é um farol para quem busca ser visto, ouvido e amado por quem é.

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