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Spanking: eles não são “mulheres de malandro”, mas adoram levar – e dar – uns tapas!

Tomar um banho demorado, vestir a melhor roupa, pôr um perfume. Sair para encontros faz parte da rotina de qualquer homem disposto a embarcar na vida a dois.  Eu estava em um deles, com um rapaz que, sem jeito, respondia minhas perguntas. “Desculpe. Sou tímido”, justificou. “Eu também”. Ele não acreditou, e, minutos depois, nos despedíamos. O moço precisava chegar cedo em casa, ou, dizia, ia apanhar da mulher (sim, era casado).

Não sei se ele falou no sentido figurado ou não – mas a atitude de fugir de uns tabefes é comum a todos, certo? Errado! Ao longo deste texto, você conhecerá o spanking e pessoas que transformam sopapos em puro erotismo.

Definições
Em inglês, o sentido mais estrito de “spanking” é palmadas nas nádegas, mas a definição pode ser ampliada e incluir canes (varas, em inglês), palmatórias, chinelos, chicotes, relhos e otras cositas más…  A região pode abranger, por exemplo, tapas no rosto, chicotadas nas costas e na sola do pé, uso de palmatórias nas mãos ou nas coxas e mesmo uns golpes nos genitais (ai!), com instrumentos próprios, claro!

No entanto, algumas modalidades de spankings mais elaboradas não podem ser praticadas por qualquer um. Dependendo da região do corpo e do instrumento, precisa experiência, usar corretamente o acessório e até passar por treinamento. O médico Marcelo Santos*, 32 anos, por exemplo, freqüentou cursos no Clube Dominna, em São Paulo: “Se a pessoa puder fazer, eu recomendo”. Especializado, o Dominna promove palestras e workshops sobre fetiches e BDSM.

BDSM, sim, pois o spanking é uma prática geralmente relacionada a esse universo. “A sigla se refere a três vertentes: B/D (bondage/doutrinação), D/S (dominação e submissão) e S/M (sadomasoquismo)”.

Prazer e castigo
O professor CigarMaster, 26 anos, é praticante e dominador. “Uso o spanking como castigo”, diz ele. Castigo pra quem? Ué, para seus escravos! No BDSM, é assim: você tem um mestre, top ou dom (de dominador), que é a parte dominante da sessão ou cena – o jogo erótico em si; o escravo, bottom ou sub (de submisso), que é o pólo dominado; e os switchers, que alternam papéis.

Lord Tom, 34 anos e designer de moda, é um switcher. Para ele, o spanking pode ser hard (pesado) ou leve – e, quando ele é mestre, faz diferenciação na hora de aplicá-lo: “O hard, eu uso pra castigar o escravo. O leve, para dar prazer”.

Para além da punição, há quem curta mesmo os tapas – e aqui entra até uma questão psicológica. De acordo com nossos entrevistados, mais do que a sensação física, há o prazer de servir ao mestre. “Fui espancado primeiro por obrigação – era uma das exigências dele. Depois, por prazer. Não pela dor. [Sentia] prazer por estar satisfazendo alguém que eu amava”, conta CigarMaster, que começou como sub de seu ex-namorado. “É bom pela submissão, saber que você está servindo. Mas apanhar, em si, não é bom, não”, ri Lord Tom – “[mas] acredito que cada um sente de um jeito. Pode haver […] quem se excite assim”, ressalva CigarMaster.

Já do lado do mestre, o prazer é o de ver a submissão do outro e o de conduzir, ensinar. “Meu prazer é de proteção. Quando bato, há algum motivo. Estou ensinando, corrigindo”, conta CigarMaster. “Nunca bato quando estou com raiva, mas, quando faço, consigo canalizar o estresse do dia-a-dia e aliviá-lo”, acrescenta Marcelo Santos. “Encaro como uma carícia mais acentuada”, diz DomRicardoSP.

Tapa a tapa
Agora, se o que você quer é desferir e receber umas pancadinhas mais básicas, não é preciso mergulhar tão fundo no universo BDSM e ser “engajado”. “Sou ativo e gosto de dominar, mas meu estilo é bem ‘light’. Não posso dizer propriamente que pratico o BDSM, pois sou também muito carinhoso. Uns tapinhas, curto dar, mas é no contexto de uma transa mais comum”, diz o gerente de T.I. Daniel Alcântara, 46 anos.

Aliás, mesmo entre os experientes, “há tribos formadas por pessoas que não estão ligadas diretamente ao BDSM, juntas apenas pelo prazer de bater/apanhar”, explica DomRicardoSP.

Preste atenção nas dicas da galera BDSM. Confira:
O BDSM se caracteriza pelo lema “são, seguro e consensual” – e é bom aplicá-lo: todo mundo tem de estar de acordo e definir, antes, até onde chegar;

Se o que bate e o que leva se conhecem bem, isso conta pontos, mas há uma regra de ouro: inicie-se com cautela, avançando aos poucos, conforme a aceitação das partes e respeitando os limites. Ah, e é o sub quem, a priori, os determina, ok?;

Se o escravo não conhece o prazer, cabe ao dom dosar quantidade e qualidade. Afinal, não é pra ser uma prática aversiva;

É recomendável definir uma palavra de segurança (safeword). Se o sub a pronunciar, o dom deve parar imediatamente. Alguns usam duas safewords: a primeira faz pegar mais leve;

Lugares proibidos: articulações, região dos rins, meio da coluna. Nas costas, só vale bater nas escápulas. Na face, usar a região da maçã do rosto, e é conveniente que uma das mãos segure a cabeça. Na sola do pé, em alguns pontos, dependendo do instrumento;

Algumas regiões, como os genitais, requerem instrumentos próprios e manejo adequado. Outros acessórios, como os chicotes longos, requerem treinamento. Se vocês são iniciantes, apenas curiosos ou estão inseguros sobre esses detalhes, optem pelo “modelo standard”: palma da mão – talvez um chinelo, no máximo – e bumbum;

É bom que o sub seja imobilizado. Isso evita que, num reflexo, ele ponha uma região sensível no alvo;

Se usar os mesmos instrumentos em escravos diferentes, o mestre deve observar a assepsia, passando lisoforme ou cândida após cada uso e antes do próximo. Para quem não pode ficar com marcas e o spanking for mais pesadinho, vale usar gelo e, no caso de eventuais cortes, os cuidados já conhecidos, como água oxigenada e produtos para cicatrização.

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