Com batidas eletrônicas e hip hop, artista sergipana transforma oralidade e resistência em música visceral
Stella, artista sergipana e voz potente da cena preta e LGBTQIA+, lançou recentemente o EP “A Fim”, um trabalho que vai muito além da música. Nele, a cantora funde a poesia preta com a experiência travesti, criando um manifesto sonoro que pulsa entre o hip hop, batidas eletrônicas e uma performance carregada de significado.
O EP nasceu da urgência de resgatar e recontar histórias negras e trans antes que o silêncio as apague. Stella reflete essa necessidade em cada verso e batida, dando voz aos corpos e às narrativas marginalizadas pela sociedade. Inspirada por artistas como Juçara Marçal, Linn da Quebrada, Saskia, Edgar e Metá Metá, ela define o projeto como uma expressão criativa, vulnerável e espirituosa, que celebra a força de resistir mesmo quando tudo parece estar chegando ao fim.
Uma jornada ritualística de resistência e oralidade
Desenvolvido durante a pandemia de Covid-19, “A Fim” se estrutura como uma verdadeira jornada ritualística, onde a oralidade ganha protagonismo. Stella escreve em voz alta, vociferando palavras com uma ânsia visceral, transformando poesia em música e valorizando o ritmo, o grito e a potência do corpo preto travesti.
A sonoridade do EP é marcada por beats industriais e repetições hipnóticas, criando uma atmosfera que transita entre a confissão e o enfrentamento. A artista convida o público a dançar no desconforto, beijar o inóspito e cantar com o silêncio, uma proposta que desafia as zonas de conforto e reforça a potência da palavra como arma de transformação.
Visuais que capturam o corpo em movimento espontâneo
O lançamento do EP também conta com uma série de visuais dirigidos por Sarah Ahab, com estreia marcada para 25 de novembro no YouTube. O vídeo, gravado em uma única diária, utiliza uma mistura de técnicas – VHS, iPhone e câmera 3D Kinect – para capturar o corpo em movimento espontâneo. A ideia não é roteirizar, mas sim registrar o corpo quando ele não sabe que está sendo filmado, revelando uma autenticidade crua e poderosa.
Essa escolha estética reforça a mensagem do EP, que é sobre o corpo preto e travesti ocupando espaços, se expressando livremente e resistindo às imposições sociais.
Um som que ecoa para a comunidade LGBTQIA+
“A Fim” não é apenas um EP, é um grito de afirmação e liberdade para a comunidade LGBTQIA+ preta, que muitas vezes enfrenta invisibilidade e preconceito. Stella, com sua voz única e coragem artística, traz à tona discussões urgentes sobre identidade, corpo e resistência, fortalecendo a representatividade e o protagonismo travesti na música brasileira.
Ouça o EP e mergulhe nessa experiência sonora que é, ao mesmo tempo, um ritual de cura e um convite para celebrar a vida em sua forma mais autêntica e revolucionária.
Este lançamento marca um momento importante para a cultura LGBTQIA+ e preta, mostrando que a arte é uma ferramenta poderosa para quebrar silêncios e construir narrativas de resistência. Stella nos lembra que a poesia e a música são espaços sagrados para expressar o que muitas vezes não pode ser dito em voz alta, mas que precisa ser ouvido com o coração aberto.
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