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STJ aumenta indenização por homofobia contra policial militar

Tribunal reconhece que discurso homofóbico em redes sociais ultrapassa a liberdade de expressão
STJ aumenta indenização por homofobia contra policial militar

Tribunal reconhece que discurso homofóbico em redes sociais ultrapassa a liberdade de expressão

A 3ª turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu aumentar para R$ 10 mil a indenização por danos morais devida a um policial militar que foi vítima de comentário homofóbico nas redes sociais. O colegiado entendeu que a manifestação ultrapassou os limites da liberdade de expressão e configurou preconceito, causando sofrimento e constrangimento ao profissional.

O caso que mobilizou a Justiça

O policial militar entrou com ação judicial após ter sua orientação sexual questionada publicamente por um usuário nas redes sociais. A publicação criticava o fato de ele, assumidamente gay, estar usando a farda da PM, com a frase: “Se for ‘gayzar’, não use farda quando estiver gayzando”. Essa fala homofóbica gerou repercussão negativa tanto na vida pessoal quanto profissional do policial.

Inicialmente, a indenização fixada pela primeira instância foi de R$ 1.850. No Tribunal de Justiça de São Paulo, houve sugestão de aumento para R$ 5 mil, mas o valor não foi alterado. Somente no STJ, por meio do recurso especial, o valor foi majorado para R$ 10 mil, acompanhando o voto da ministra relatora Nancy Andrighi e com sugestão da ministra Daniela Teixeira.

Liberdade de expressão com limites

A ministra Nancy Andrighi ressaltou que a liberdade de expressão não é um direito absoluto e pode ser restringida para proteger outros direitos constitucionais, como a dignidade e a igualdade. A orientação sexual, como atributo da personalidade, merece proteção jurídica contra ataques discriminatórios.

Além disso, a ministra destacou diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para julgamentos com perspectiva de gênero e reforçou a importância das referências internacionais na defesa dos direitos da população LGBTQIA+.

O comentário ofensivo, segundo a relatora, revelou um conteúdo preconceituoso claro e teve a intenção de diferenciar a vítima no exercício da sua função pública, configurando violação aos direitos da personalidade e ensejando reparação civil conforme os artigos 186 e 927 do Código Civil.

Uma vitória contra a homofobia institucional

O entendimento do STJ afasta a ideia de que discursos homofóbicos poderiam ser tratados como “sem potencial ofensivo” ou amparados pela liberdade de expressão. Essa decisão reforça que o Estado Democrático de Direito não tolera manifestações discriminatórias, ainda mais quando direcionadas a servidores públicos que exercem sua função com dedicação.

O caso também reverbera na luta por reconhecimento e respeito à diversidade dentro das instituições policiais, um ambiente historicamente marcado por preconceitos e resistência à inclusão LGBTQIA+.

Essa ampliação da indenização simboliza não apenas um reparo financeiro, mas um posicionamento firme da Justiça contra o discurso de ódio e a discriminação. Para a comunidade LGBTQIA+, é um passo importante para a garantia de direitos e o combate à violência simbólica que ainda permeia muitos espaços sociais e profissionais.

Mais do que uma sentença, essa decisão do STJ representa um chamado à reflexão sobre a responsabilidade que todos temos em construir ambientes mais inclusivos, onde a orientação sexual não seja motivo de exclusão ou desrespeito. Na luta contra a homofobia, cada conquista jurídica fortalece a voz e a presença da comunidade LGBTQIA+ em todos os setores da sociedade.

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