Drag queen fala sobre RuPaul’s Drag Race, legado do sci-fi e a luta LGBTQIA+ na cultura pop
Tia Kofi, uma das vozes mais autênticas da cena drag atual, abriu o coração em uma conversa exclusiva sobre os bastidores do RuPaul’s Drag Race, a relação profunda entre a ficção científica e o universo drag, além das cicatrizes deixadas pela crise da AIDS no cabaré e na comunidade LGBTQIA+.
RuPaul e o jogo das alturas nos bastidores
Com bom humor, Tia revelou um detalhe curioso: sempre que RuPaul entra na sala de trabalho, ela é convidada a se sentar. “Acho que é porque precisamos ser menores que Ru. É só uma especulação, mas suspeito que seja isso”, brincou a drag queen, mostrando o clima leve e divertido que permeia os bastidores do programa que conquistou o mundo.
Sci-fi e drag: duas linguagens que se encontram
Para Tia Kofi, a ficção científica e o drag compartilham a mesma essência. “Desde o começo, a sci-fi é progressista, mostrando ideais utópicos do que o futuro poderia ser. É por isso que ela parece tão queer e tão conectada com o drag”, explica. Ela destaca ainda momentos históricos, como o beijo interracial em “Star Trek” em 1968, um marco para a televisão, que chocou o público na época, embora o Capitão Kirk já tivesse tido romances com alienígenas sem causar tanta controvérsia.
O legado da crise da AIDS no cabaré
A luta e a memória da crise da AIDS ainda ecoam nos palcos e camarins. Tia Kofi lembra que há drag queens que trabalham em casas como o Halfway to Heaven, em Londres, que viveram aquela época difícil. “Esse ativismo está no seu drag, mesmo que você não perceba”, afirma, ressaltando como a história da comunidade LGBTQIA+ permanece viva e presente nas performances e no engajamento político dos artistas.
Sobre alianças e desafios dentro da comunidade
Falando sobre as tensões internas, Tia alerta para o perigo de distanciamento entre grupos da comunidade, especialmente em relação aos direitos trans. “Eles vão te atacar por último, mas vão te atacar”, alerta, reforçando a importância da união e da solidariedade. Para quem ainda não está pronto para se assumir, ela aconselha: “A prioridade é estar seguro. Encontre seu grupo, as pessoas certas – seja na paixão por Doctor Who ou nas amizades com lésbicas”.
O papo inspirador com Tia Kofi é parte da nova temporada do podcast “Attitude Presents: Out with Suzi Ruffell”, que estreia episódios toda sexta-feira, trazendo nomes importantes e discussões relevantes para o público LGBTQIA+.
Ao trazer à tona a conexão entre RuPaul’s Drag Race, a cultura pop e a história queer, Tia Kofi reforça como o drag é muito mais do que entretenimento: é uma forma poderosa de resistência e expressão identitária. Sua fala nos convida a enxergar a força da comunidade LGBTQIA+ que, mesmo diante dos desafios, segue celebrando suas raízes, lutando por direitos e criando espaços de acolhimento e transformação.
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