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Tropical Park: filme que revela o retrato real da Miami queer cubana

Diretor Hansel Porras Garcia apresenta drama íntimo que explora família, identidade e reconexão em Miami, EUA
Tropical Park: filme que revela o retrato real da Miami queer cubana

Diretor Hansel Porras Garcia apresenta drama íntimo que explora família, identidade e reconexão em Miami, EUA

Em meio à vibrante cena cinematográfica de Miami, o diretor Hansel Porras Garcia traz um olhar sensível e inovador para a comunidade queer cubana com seu filme Tropical Park. Com uma proposta única, o longa-metragem se passa inteiramente dentro de um carro durante uma aula de direção, capturando a complexa relação entre dois irmãos cubanos que tentam se reencontrar entre memórias, diferenças e expectativas.

Um drama íntimo e sem cortes

O filme acompanha Fanny, uma mulher trans recém-chegada a Miami, e seu irmão Frank, conservador e distante, que lhe diz que chegou a hora de deixar sua casa. A narrativa acontece em um único plano-sequência, sem cortes, enquanto eles dirigem por diferentes locais do Sul da Flórida, discutindo temas profundos como capitalismo, transporte público, obrigações familiares, gênero e sexualidade. Essa conversa foi totalmente improvisada pelos atores Lola Bosch e Ariel Texido, a partir de um roteiro solto criado por Porras Garcia, que buscou refletir as tensões típicas de famílias latinas LGBTQIA+.

Representatividade e autenticidade

Tropical Park não apenas mostra um retrato cru e honesto da Miami queer, mas também destaca as dificuldades específicas enfrentadas por uma mulher trans cubana no contexto da imigração e da adaptação a um país marcado por desigualdades e preconceitos. O filme expõe a realidade da cidade e seus moradores comuns, que lutam para sobreviver em um ambiente que frequentemente os coloca uns contra os outros. A escolha de filmar em uma única tomada, com o cenário urbano passando pelas janelas, reforça a sensação de imersão na vida cotidiana dessas pessoas.

Uma experiência cinematográfica e pessoal

Hansel Porras Garcia compartilhou que a inspiração para o filme veio de suas próprias experiências aprendendo a dirigir em Tropical Park com sua família, e que a dinâmica dos personagens reflete seus relacionamentos pessoais. A decisão de realizar a filmagem em um único dia e em uma única tomada foi um desafio e um experimento que resultou em uma obra carregada de autenticidade e emoção.

Além disso, o filme traz sutilezas como a escolha das cores das legendas para os personagens — rosa para Fanny e azul para Frank — brincando com as normas de gênero e convidando o público a questionar o que é considerado natural.

Reconexão e esperança

A narrativa aborda o reencontro entre pessoas distantes, um tema presente na vida do diretor e que ressoa na comunidade cubana e LGBTQIA+. O filme não entrega respostas fáceis, mas valoriza o diálogo, o entendimento e o afeto, mesmo diante de discordâncias profundas. O abraço final entre os irmãos simboliza a possibilidade de coexistência e amor, apesar das diferenças.

Tropical Park é uma obra que vai além do cinema queer tradicional, oferecendo uma reflexão sobre família, identidade e pertencimento, especialmente para quem vive na interseção entre a cultura latina e a diversidade sexual e de gênero.

Ao trazer essa história para o público, Hansel Porras Garcia não apenas amplia a representatividade trans e latina no cinema, mas também nos convida a olhar para nossas próprias relações com empatia e coragem. Tropical Park mostra que, mesmo em meio a medos e preconceitos, o diálogo e o afeto são caminhos poderosos para a transformação.

Para a comunidade LGBTQIA+, especialmente aquelas pessoas que carregam a herança cultural latino-cubana, o filme é um espelho e um convite: reconhecer as dores, as complexidades e, sobretudo, celebrar a resiliência e o amor que nos une. Em tempos em que a representatividade ainda é uma conquista, obras como Tropical Park fortalecem nossa voz e nossa visibilidade, mostrando que nossas histórias são dignas de serem contadas e ouvidas.

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