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Turquia julga líderes LGBTQIA+ por ‘obscenidade’ e ameaça direitos

Turquia julga líderes LGBTQIA+ por 'obscenidade' e ameaça direitos

Onze ativistas enfrentam até três anos de prisão em Izmir por defender amor e liberdade

Na cidade de Izmir, na Turquia, onze líderes do grupo de direitos LGBTQIA+ Genc LGBTI+ foram levados a julgamento sob acusações que chocam pela arbitrariedade: “obscenidade” e violação da proteção da família, segundo informou o advogado da associação. O motivo? Publicações nas redes sociais mostrando casais do mesmo sexo se beijando, consideradas “impróprias” pelas autoridades locais.

Embora a homossexualidade não seja ilegal no país, o cenário para a comunidade LGBTQIA+ tem se tornado cada vez mais hostil. O presidente Recep Tayyip Erdogan frequentemente culpa esse grupo pela queda na taxa de natalidade, adotando uma retórica que alimenta preconceitos e reforça a exclusão social.

Uma luta pela liberdade de expressão

Kerem Dikmen, advogado da associação e também integrante do conselho fiscal do grupo, denuncia que o processo é parte de uma política sistemática de excluir pessoas LGBTQIA+ da esfera pública. “Não se trata de obscenidade. São atividades legítimas, legais e constitucionais que estão sendo criminalizadas. É uma forma de desumanização”, afirma Dikmen, que também enfrenta julgamento.

Se condenados, os ativistas podem cumprir até três anos de prisão e ter seus direitos civis suspensos. Paralelamente, em dezembro, uma decisão judicial ordenou a dissolução da associação com base nas mesmas acusações, decisão que está sendo contestada pelos defensores dos direitos humanos.

Resistência em meio à repressão

Desde 2015, as marchas do orgulho LGBTQIA+ na Turquia são quase sempre proibidas e reprimidas, um claro sinal do endurecimento das políticas contra a comunidade. Em 2025, uma proposta de emenda ao código penal que criminalizaria comportamentos LGBTQIA+ e sua promoção foi retirada após pressão internacional, mas o clima de perseguição segue presente.

O próximo julgamento está marcado para 14 de outubro, e a expectativa é de que a comunidade global fique atenta à evolução desse caso emblemático de luta por direitos humanos.

Esse episódio na Turquia é um triste reflexo de como o autoritarismo pode se manifestar na criminalização do amor e da identidade. Para a comunidade LGBTQIA+, é um lembrete doloroso da importância de seguir resistindo e defendendo espaços de visibilidade e expressão, mesmo diante das adversidades.

Em tempos em que o discurso de ódio tenta silenciar vozes diversas, manter viva a chama da liberdade é um ato revolucionário. A coragem desses ativistas em Izmir inspira a todos nós a continuar construindo um mundo onde o amor não seja um crime, mas uma celebração da vida em todas as suas cores.

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