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UnB acolhe primeira turma de cotas trans com evento LGBTQIA+ inclusivo

UnB acolhe primeira turma de cotas trans com evento LGBTQIA+ inclusivo

Universidade de Brasília celebra diversidade e empoderamento com recepção especial para calouros trans

Na última terça-feira (17), a Universidade de Brasília (UnB) protagonizou um momento histórico de acolhimento e celebração da diversidade ao realizar um evento especial para integrar a comunidade discente LGBTQIA+. O encontro, realizado no Anfiteatro 10 do ICC Sul, marcou a recepção da primeira turma de estudantes ingressantes por meio das cotas para pessoas trans, reafirmando o compromisso da instituição com a inclusão e o respeito às identidades.

Uma recepção cheia de significado e representatividade

Organizado pela Secretaria de Direitos Humanos (SDH), pelo Núcleo de Estudos da Diversidade Sexual e de Gênero (Nedig/Ceam) e pela Diretoria de Esporte e Organizações Comunitárias (Deac/DAC), o evento proporcionou um ambiente de acolhimento afetivo e político. A programação contou com apresentações institucionais, orientações sobre direitos como o uso do nome social e canais de denúncia, além de uma performance vibrante do projeto Vivência Ballroom UnB, que trouxe a dança voguing para simbolizar o empoderamento e a diversidade LGBTQIA+.

Maria Célia Selem, coordenadora LGBTQIA+ da SDH, ressaltou a importância desse espaço: “Este evento é fundamental para acolher especialmente os estudantes que ingressam agora pelo primeiro vestibular com cotas trans, oferecendo um ambiente seguro e de pertencimento”.

Vozes que inspiram: depoimentos dos calouros

Entre os calouros, Alex Santiago, pessoa não binária de gênero fluido, expressou sua expectativa de se conectar com a comunidade e fortalecer a luta por igualdade. “Entrei pelo PAS, mas também estava na lista de espera pelas cotas trans. Espero que este espaço me ajude a continuar buscando diversidade e respeito”, afirmou.

Nicholas Moon, também gênero fluido, compartilhou sua emoção: “Tive medo de não ser aceita, mas a entrevista foi tranquila e conduzida por pessoas trans. Isso representa um avanço enorme para a UnB e para nós”.

Luca Azure, ingressante em Filosofia, contou que a abertura das cotas foi uma verdadeira luz no fim do túnel para construir seu futuro com autonomia. Seu exemplo motivou a namorada, Maya Maia, a sonhar em ingressar também pela política de cotas.

Mário Hessen, calouro em Engenharia da Computação, destacou a responsabilidade e a esperança que carrega: “Representar os primeiros calouros das cotas trans é uma honra, e fico feliz em saber que muitos outros virão depois de nós”.

Política pioneira e compromisso com a democracia

A política de cotas para pessoas trans da UnB, aprovada em 2024, reserva 2% das vagas dos cursos de graduação para essa população, demonstrando pioneirismo e compromisso social. O evento de acolhida está alinhado à campanha institucional “Democracia todos os dias: aprender, praticar, viver”, que reforça os valores de pluralidade, pertencimento e ação democrática dentro do ambiente acadêmico.

Ágata Guerra, ouvidora da UnB, lembrou que a universidade é de todas e todos: “A presença da comunidade LGBTQIA+ fortalece a diversidade e constrói uma instituição mais justa, plural e humana”.

Este momento na UnB representa muito mais do que uma recepção: é um passo firme na construção de espaços seguros, onde a diversidade é celebrada e as identidades trans são valorizadas como parte essencial da sociedade acadêmica e cultural.

Para a comunidade LGBTQIA+, a concretização das cotas trans na UnB simboliza a conquista de um espaço legítimo de pertencimento e reconhecimento, rompendo barreiras históricas de exclusão. Essa iniciativa ressoa como um farol de esperança e empoderamento, inspirando outras instituições e fortalecendo a luta por direitos e visibilidade. O impacto cultural vai além das salas de aula, promovendo uma transformação social que reverbera na autoestima, na saúde mental e na afirmação plena das identidades trans dentro e fora do ambiente universitário.

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