Antes da presidência, Trump demonstrava apoio a pessoas trans; hoje, sua postura é marcada por ataques à comunidade LGBTQ+.
Quando Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos, muitos LGBTQ+ viram uma pequena esperança florescer. Para um republicano, ele parecia prometer uma postura diferente em relação à comunidade queer, declarando-se um “amigo” e prometendo proteção. Mas será que essa imagem se manteve ao longo do tempo?
Nos anos 2000, durante sua breve campanha à presidência pelo Partido da Reforma, Trump declarou ao público LGBTQ+ que sua criação em Nova York lhe dava uma mentalidade de tolerância. Ele afirmou que não tinha problema em contratar pessoas gays e chegou a defender a inclusão da orientação sexual na Lei dos Direitos Civis de 1964, algo que a comunidade LGBTQ+ buscava há décadas por meio do Ato da Igualdade.
Um suporte surpreendente às pessoas trans
Antes de se tornar presidente, Trump até mostrou apoio a pessoas trans em contextos públicos. Em 2012, quando co-possuía o concurso Miss Universo, elogiou a Miss EUA Olivia Culpo por defender a participação de mulheres trans nos concursos de beleza. Ele reconheceu que “vivemos em um país livre” e que a aceitação era necessária para a felicidade dessas pessoas.
Até 2016, Trump dizia que pessoas trans deveriam usar o banheiro que sentissem mais adequado, chegando a defender publicamente a ex-atleta Caitlyn Jenner neste ponto. Em contraponto, ele se posicionou contra a polêmica lei da Carolina do Norte que obrigava o uso de banheiros conforme o sexo designado ao nascimento, reconhecendo que esta gerava mais problemas do que soluções e que a punição econômica sofrida pelo estado era severa.
A virada política e o endurecimento da retórica
No entanto, toda essa postura mais neutra ou até favorável virou de cabeça para baixo quando Trump assumiu o cargo. Em vez de continuar esse caminho, seu governo iniciou uma série de ataques sistemáticos à população trans, incluindo a tentativa de impedir que pessoas trans atualizassem seus documentos oficiais, a proibição de participação de meninas trans em esportes escolares, a reinstauração da proibição de pessoas trans nas forças armadas e o corte de financiamento para programas de apoio à comunidade LGBTQ+.
Organizações como a GLAAD documentaram centenas de ações e declarações de Trump contra a comunidade LGBTQ+, evidenciando um padrão claro de hostilidade.
O que mudou para Trump?
Especialistas e ativistas acreditam que a mudança de postura de Trump não é fruto de convicção pessoal, mas sim de estratégia política. Pessoas trans se tornaram um bode expiatório para mobilizar a base conservadora, que é majoritariamente anti-trans. Charlotte Clymer, ativista trans, acredita que se os conselheiros de Trump lhe sugerissem mudar de posição, ele o faria sem hesitar, pois o que importa para ele são os votos.
Apesar de conhecer a comunidade trans – tendo interagido com candidatas trans em seus concursos e com Caitlyn Jenner – Trump escolhe hoje se alinhar com a minoria que rejeita os direitos LGBTQ+. Sua retórica e políticas refletem isso, e para a comunidade LGBTQ+, os danos estão claros e tangíveis.
Impactos e legado
Independentemente das motivações, o endurecimento da política anti-trans de Trump se traduz no mais agressivo conjunto de ataques já vistos contra os direitos LGBTQ+ na história recente dos Estados Unidos. O impacto vai muito além das palavras – afeta vidas, saúde mental, acesso a serviços e a própria existência digna de pessoas trans e queer.
Assim, enquanto seu passado sugere uma possibilidade de apoio, seu presente demonstra que a verdadeira face de Trump é marcada por um enfrentamento direto à comunidade LGBTQ+. A luta por direitos e reconhecimento segue mais urgente do que nunca.
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