Pesquisa inédita mostra ataques intensos e sistemáticos a mulheres negras, trans e LGBTQIA+ na política digital
Um novo estudo do Instituto Marielle Franco escancara a gravidade da violência digital direcionada a mulheres negras, trans e LGBTQIA+ envolvidas na política brasileira. Lançada em Brasília, a pesquisa violência digital contra mulheres revela que esses ataques não são incidentes isolados, mas parte de um sistema coordenado e estrutural que visa silenciar e afastar essas mulheres da vida pública.
A dimensão da violência política digital
O levantamento aponta que 71% das ameaças envolvem violência extrema, incluindo ameaças de morte e estupro. Além disso, 63% das ameaças de morte fazem referência ao assassinato brutal da vereadora Marielle Franco, símbolo da resistência e luta por justiça social. Essa conexão simbólica transforma o feminicídio político em uma ameaça direta a todas as mulheres negras que se colocam na disputa pelo poder, especialmente aquelas que são cis, trans, travestis, periféricas e defensoras dos direitos humanos.
Quem são as vítimas?
As vítimas principais dessa violência digital são mulheres negras e LGBTQIA+ que atuam como parlamentares, candidatas e ativistas. São pessoas que carregam nas suas trajetórias a luta por representação, inclusão e por um país mais justo, mas que frequentemente enfrentam o apagamento e o perigo constante. A sistematização dos dados foi possível graças a uma rede de colaboração entre o Instituto Marielle Franco, Instituto Alziras, coletivo Vote LGBT, portal AzMina e outros grupos comprometidos com a defesa dos direitos humanos.
Impactos e recomendações
Para a diretora executiva do Instituto Marielle Franco, Luyara Franco, filha da vereadora, essa violência não atinge apenas as mulheres, mas compromete a própria democracia brasileira. “São mulheres que sustentam a base do país, mas que seguem invisibilizadas. A violência contra elas é uma violência contra a democracia”, afirma.
A pesquisa propõe a criação da Política Nacional de Enfrentamento à Violência Política de Gênero e Raça, que deve orientar ações integradas do Estado, do Legislativo, da sociedade civil e das plataformas digitais para garantir proteção efetiva às mulheres negras na política. Essa iniciativa pretende transformar dados em ações que responsabilizem agressores e promovam ambientes seguros para que essas mulheres possam existir e disputar espaços públicos sem medo.
Legado e luta contínua
Desde sua criação em 2019, o Instituto Marielle Franco tem como missão defender a memória da vereadora e potencializar mulheres negras, LGBTQIA+ e periféricas em sua caminhada por direitos e justiça social. A divulgação desta pesquisa reforça a urgência de enfrentarmos a violência política digital e de construirmos um país onde todas as identidades tenham voz e segurança para participar da cena política.
Essa violência digital contra mulheres negras na política é uma chaga que exige resposta imediata e comprometida da sociedade, das instituições e das plataformas digitais. O combate a esse cenário é fundamental para a construção de uma democracia plural, diversa e inclusiva, onde o protagonismo LGBTQIA+ e negro seja celebrado e protegido.