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Vozes Queer Africanas Marcam Presença no C20 com Declaração Q20

Ativistas LGBTQIA+ da África reivindicam inclusão real e decolonização no cenário global em Joanesburgo
Vozes Queer Africanas Marcam Presença no C20 com Declaração Q20

Ativistas LGBTQIA+ da África reivindicam inclusão real e decolonização no cenário global em Joanesburgo

Em um momento histórico para a representatividade LGBTQIA+ no continente africano, ativistas queer tomaram o centro do palco durante a sessão especial do C20 realizada em Joanesburgo, África do Sul, no dia 13 de novembro de 2025. Pela primeira vez, demandas firmes e lideradas por organizações africanas foram apresentadas diretamente ao processo do C20, que antecede a cúpula dos líderes do G20, clamando por uma inclusão genuína das pessoas LGBTQIA+ nas políticas globais.

Declaração Q20: Um marco para a inclusão queer

Batizada de Declaração Queer 20 (Q20), essa intervenção política abrangente foi construída por organizações LGBTQIA+ e aliados de todo o mundo, com a voz forte do continente africano. A declaração denuncia que o princípio de “não deixar ninguém para trás” perde sentido quando pessoas LGBTQIA+ continuam invisibilizadas em dados, linguagens políticas e estratégias nacionais de desenvolvimento.

Sibonelo Trower Ncanana, ativista e co-presidente da equipe nacional, liderou o encontro, ressaltando a urgência de que o mundo reconheça a existência e os direitos das pessoas queer na África e globalmente.

Reconectando com a história queer africana

Lusanda Mamba, gerente do Fundo Marang para LGBTQIA+ na África Austral, trouxe uma reflexão profunda sobre a ancestralidade queer no continente. Ela lembrou que a diversidade de gênero e sexualidade não é novidade na África, citando como muitas línguas bantu não possuem pronomes de gênero fixos e como sociedades pré-coloniais acolhiam pessoas de gêneros diversos como líderes e curadores respeitados.

Para Mamba, a homofobia e transfobia africanas são heranças coloniais, e o movimento queer do continente exige participação ativa e estrutural nas decisões globais. “Até que as pessoas queer africanas sejam livres, o continente não é livre”, afirmou com convicção.

Desafios econômicos e sociais que precisam ser enfrentados

Outro ponto forte da Declaração Q20 foi a análise da exclusão econômica enfrentada por pessoas LGBTQIA+. Tebogo Karabo Legodi, líder interino do Diálogo Nacional LGBTQIA+ da África do Sul, destacou barreiras como a discriminação no trabalho, a ausência de dados oficiais e a criminalização que empurra muitas pessoas para a informalidade e vulnerabilidade.

Ele enfatizou a necessidade urgente da descriminalização das identidades queer e do trabalho sexual, além da inclusão de avaliações de gênero e equidade social em acordos comerciais e financeiros internacionais.

Outros pilares essenciais: migração, educação e segurança digital

A Declaração também abordou as realidades compartilhadas da migração forçada, da violência nas escolas e dos perigos enfrentados nos espaços digitais. Mamba destacou que a proteção digital é fundamental para muitos, já que esses ambientes são, muitas vezes, o único lugar onde pessoas queer encontram comunidade e apoio.

O chamado final foi para uma descolonização que não imite o Ocidente, mas que resgate as raízes africanas de aceitação e diversidade.

Um passo decisivo para a justiça global

Com a apresentação da Declaração Q20, o C20 agora enfrenta o desafio de integrar essas demandas nas políticas oficiais que serão levadas à cúpula do G20. A entrada firme das vozes queer africanas no processo político global simboliza uma mudança necessária e urgente rumo à inclusão real, respeito e justiça.

Essa mobilização reafirma que o ativismo LGBTQIA+ africano não aceita mais ser marginalizado ou apenas representado simbolicamente. A luta por direitos e visibilidade é também uma luta por reconhecimento cultural, histórico e político que reverbera em toda a comunidade global.

O protagonismo queer africano no C20 é uma vitória coletiva que inspira não apenas políticas mais justas, mas também a esperança de um mundo onde a pluralidade de identidades seja celebrada e respeitada. Para a comunidade LGBTQIA+, essa conquista reafirma a importância de ocupar espaços de poder com autenticidade e coragem, mostrando que a diversidade é um pilar fundamental para a verdadeira liberdade e igualdade.

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