Candidato a prefeito de Nova York enfrenta críticas após associação com líderes religiosos e políticos com histórico anti-LGBTQIA+
Nas últimas semanas, o candidato a prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, tem chamado atenção não apenas pelo seu discurso progressista, mas também pelas controvérsias envolvendo suas associações com figuras conhecidas por declarações homofóbicas. Esse contexto coloca em xeque o compromisso do político com a comunidade LGBTQIA+.
Encontro com Imam Siraj Wahhaj e declarações polêmicas
Mamdani foi fotografado em Brooklyn com o Imam Siraj Wahhaj, uma liderança religiosa de longa data na comunidade Bed-Stuy, conhecida por seus posicionamentos radicais contra pessoas LGBTQIA+. Em um sermão divulgado em 2017, Wahhaj classificou a homossexualidade como “uma doença da sociedade” e defendeu que muçulmanos deveriam “convidar os homossexuais ao Islã e fazê-los se sentirem desconfortáveis”, até que abandonassem sua orientação sexual, usando até mesmo uma retórica violenta sobre punições extremas.
Apesar da gravidade dessas declarações, Mamdani publicou uma foto sorridente ao lado do Imam, descrevendo-o como um “pilar da comunidade” local. Quando questionado, o candidato não se posicionou sobre as declarações homofóbicas associadas à Wahhaj, o que gerou desconforto entre ativistas e membros da comunidade LGBTQIA+.
Histórico de associações controversas
Esta não é a primeira vez que Mamdani aparece ao lado de figuras com histórico anti-LGBTQIA+. Em julho, ele foi fotografado com Rebecca Kadaga, ex-presidente do Parlamento de Uganda, país que aprovou uma lei extremamente dura contra pessoas LGBTQIA+, incluindo prisão perpétua para casais do mesmo sexo. Kadaga, conhecida por chamar a legislação de “presente de Natal” para seu povo, é uma das arquitetas dessa lei que, inicialmente, previa até a pena de morte.
A assessoria do candidato afirmou que Mamdani desconhecia as opiniões homofóbicas de Kadaga ao tirarem a foto e ressaltou que ele defende os direitos humanos universais, prometendo proteger a comunidade LGBTQIA+ em sua gestão como prefeito.
Reações e desafios para a campanha
O posicionamento ambíguo de Mamdani em relação às suas associações tem sido alvo de críticas, inclusive de seus adversários políticos. O ex-governador Andrew Cuomo, principal concorrente, afirmou que “quando as pessoas revelam quem são, devemos acreditar nelas”, pedindo que Mamdani reavalie suas alianças.
Para a comunidade LGBTQIA+, a questão é urgente e delicada. A palavra-chave “homofobia” aparece com força diante da necessidade de um compromisso claro e inquestionável dos candidatos. É fundamental que os líderes que aspiram a cargos públicos demonstrem, na prática, respeito e apoio genuíno, eliminando qualquer espaço para discursos de ódio ou discriminação.
Em uma cidade tão diversa e vibrante como Nova York, a representatividade e o acolhimento à comunidade LGBTQIA+ são pilares para o fortalecimento social. A campanha de Mamdani, portanto, precisa responder e se posicionar com transparência para reconquistar a confiança daqueles que buscam um futuro mais inclusivo e justo.