No Dia Nacional do Orgulho LGBTQIAPN+, resgatamos trajetórias de mulheres que desafiaram o apagamento e lutaram por direitos
O Brasil, terra de tantas histórias invisibilizadas, guarda em seu passado e presente trajetórias poderosas de mulheres que romperam com os padrões rígidos de gênero e sexualidade impostos pela sociedade cis-heteronormativa. No Dia Nacional do Orgulho LGBTQIAPN+, é essencial lembrar e celebrar essas mulheres trans e lésbicas que, mesmo diante do apagamento e da violência, construíram resistências e pavimentaram caminhos para as gerações que vieram depois.
Raízes de resistência e apagamento
Desde os povos originários, já existiam reconhecimentos de identidades de gênero diversas e relações afetivas entre mulheres. Em algumas comunidades indígenas tupinambás, por exemplo, mulheres assumiam papéis tradicionalmente masculinos e viviam relações com outras mulheres como casais. Porém, com a colonização, a repressão se intensificou e figuras como Xica Manicongo — a primeira travesti não indígena do Brasil — foram perseguidas pela Inquisição por manterem sua identidade e expressão de gênero.
O termo “lésbica” é relativamente recente no país, e por muito tempo mulheres homossexuais foram invisibilizadas ou rotuladas de forma pejorativa. Ainda assim, muitas delas desafiaram o silêncio e a censura, sobretudo durante regimes autoritários, quando a perseguição era ainda mais cruel.
5 mulheres trans e lésbicas que transformaram o Brasil
1. Filipa de Sousa
Portuguesa radicada na Bahia, Filipa foi uma das primeiras vítimas documentadas de homofobia no Brasil. Em 1592, foi condenada pela Inquisição por se relacionar com outras mulheres. Sua humilhação pública e punições físicas mostram a violência sofrida, mas sua história também é um símbolo da resistência feminina contra o apagamento da diversidade sexual.
2. Cassandra Rios
Primeira escritora brasileira a abordar a homossexualidade feminina em seus livros, Cassandra foi uma voz pioneira que desafiou os tabus da época. Apesar de ter 36 de seus 50 livros censurados durante a ditadura militar, ela vendeu mais de um milhão de exemplares, conquistando espaço para a literatura LGBTQIA+ no Brasil.
3. Kátia Tapety
Em 1992, Kátia se tornou a primeira mulher trans negra eleita vereadora no Brasil e na América Latina, representando o povoado de Colônia do Piauí. Sua trajetória política abriu portas para a participação de pessoas trans na política institucional, além de inspirar iniciativas de formação política para mulheres negras, indígenas e LGBTQIA+.
4. Rosely Roth
Ativista lésbica fundamental na luta por visibilidade e direitos durante a ditadura militar e redemocratização, Rosely protagonizou um marco histórico em 1983, no Ferro’s Bar, em São Paulo. O protesto que ela ajudou a organizar contra a censura a mulheres lésbicas é celebrado até hoje como o Dia Nacional do Orgulho Lésbico.
5. Indianarae Siqueira
Mulher trans ativista e fundadora da CasaNem, espaço de acolhimento para pessoas expulsas de casa, Indianarae tem sido uma voz potente na defesa dos direitos LGBTQIAPN+, especialmente para pessoas trans em situação de vulnerabilidade social. Sua atuação política e social é referência na luta por inclusão, moradia e educação.
Por que relembrar essas histórias importa?
Resgatar as trajetórias dessas mulheres trans e lésbicas é mais do que uma homenagem: é um ato político que desafia o esquecimento e o apagamento histórico. Suas vidas e lutas mostram que a história do Brasil é também feita por pessoas que ousaram ser quem são, enfrentando preconceitos, violência e exclusão.
Hoje, ao celebrar o Dia Nacional do Orgulho LGBTQIAPN+, reconhecemos que o caminho por direitos e respeito foi pavimentado por essas mulheres corajosas. Elas nos inspiram a continuar lutando por um Brasil onde todas as identidades sejam reconhecidas, respeitadas e celebradas.
Essas histórias nos lembram que a luta por visibilidade e direitos é uma construção coletiva e contínua. Celebrar a memória dessas mulheres é fortalecer nossa identidade enquanto comunidade e reafirmar que resistir é um ato de amor e revolução.
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