Michael Felse, figura LGBTQ+, abandona persona drag e critica financiamento de eventos Pride
Michael Felse, conhecido na cena LGBTQ+ como drag queen e recentemente por seu alter ego “Captain England”, está de volta à arena política, desta vez como candidato do partido Reform UK em uma eleição suplementar na cidade de Salford, Inglaterra. Felse, que já disputou a prefeitura de Doncaster e foi uma figura marcante no Pride de Manchester, agora traz uma visão controversa, especialmente sobre o financiamento público de eventos LGBTQ+.
De drag queen a ‘Captain England’: uma nova persona para promover a diversidade
Por muitos anos, Felse se apresentou como Ethol Mary, uma drag queen que se distanciava dos estereótipos tradicionais, descrevendo sua personagem como mais próxima de um trabalhador portuário de Grimsby do que de uma diva pop. Porém, em 2026, ele decidiu abandonar o figurino drag para adotar um personagem mais “butch” – o “Captain England” – uma figura que, segundo ele, simboliza a luta pela Diversidade, Inclusão, Coesão e Parceria (DICK, na sigla em inglês).
Com essa nova persona, Michael pretende promover eventos de Pride por todo o Reino Unido, buscando uma abordagem que dialogue com diferentes públicos e que reflita a pluralidade das identidades LGBTQ+.
Polêmica e críticas: a visão de Felse sobre o apoio público a eventos LGBTQ+
Apesar de sua ativa participação na comunidade, Michael Felse tem gerado controvérsia ao criticar o que chama de “projetos woke” promovidos por conselhos locais, que, segundo ele, desperdiçam milhões em eventos de Pride que, em sua opinião, oferecem pouco valor para a inclusão social. Ele defende que as prefeituras deveriam priorizar serviços básicos para a população, em vez de financiar essas celebrações.
Essa posição provocou uma onda de críticas, especialmente entre leitores de veículos LGBTQ+ como o PinkNews, que o acusaram de contradizer os valores de apoio e visibilidade para a comunidade.
Trajetória política e ativismo
Felse tem uma longa trajetória política, tendo disputado eleições pelo English Democrats e se candidatado à prefeitura de Doncaster em 2009. Nascido em uma vila mineradora próxima a Doncaster, ele se orgulha de suas raízes trabalhadoras e de sua trajetória de vida, que inclui trabalhos em minas de carvão e projetos comunitários para a população LGBTQ+ em Manchester.
Agora, como candidato do Reform UK, Michael busca uma vaga como vereador no bairro de Barton and Winton, em Salford, onde vive há três décadas. Ele também tem encorajado o líder do partido, Nigel Farage, a estabelecer a sede do Reform UK no norte da Inglaterra e a tornar Doncaster um símbolo do Brexit.
O contexto da eleição suplementar
A eleição ocorrerá no dia 22 de abril para preencher a vaga deixada pelo falecimento do veterano vereador trabalhista David Lancaster, que dedicou 60 anos ao serviço público. Michael Felse concorrerá contra cinco outros candidatos, representando partidos como Labour, Liberal Democrats, Green Party, Conservative e independentes.
O retorno de Felse à política, com sua persona “Captain England” e suas opiniões contundentes, promete agitar o debate sobre identidade, representatividade e financiamento público na comunidade LGBTQ+ e na política local.
Essa candidatura traz à tona a complexidade e diversidade dentro da comunidade LGBTQ+, mostrando que não há uma única voz ou opinião dominante. A figura de Michael Felse desafia estereótipos e provoca reflexões sobre como a política e a cultura queer se entrelaçam em contextos locais e nacionais.
Para o público LGBTQIA+, é um momento de questionar como as identidades múltiplas podem conviver e se expressar politicamente, mesmo quando as opiniões divergem. É também um lembrete de que a luta por direitos e visibilidade é multifacetada, e que a representatividade pode assumir formas inesperadas e provocativas.
Que tal um namorado ou um encontro quente?


