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Arquitetura Nawabi de Lucknow revela legado queer e resistência colonial

Livro revela como construções históricas em Lucknow, Índia, desafiaram normas e criaram espaços queer de poder e beleza
Arquitetura Nawabi de Lucknow revela legado queer e resistência colonial

Livro revela como construções históricas em Lucknow, Índia, desafiaram normas e criaram espaços queer de poder e beleza

Em um resgate essencial para a história queer e a arquitetura, o livro A Queer Reading of Nawabi Architecture and the Colonial Archive: Lucknow Queerscapes traz à luz a riqueza e a resistência das construções Nawabi em Lucknow, Índia, que durante o domínio colonial britânico foram desafiadoras e subversivas às normas vigentes. Arquitetos Sonal Mithal e Arul Paul uniram forças para revelar como esses espaços históricos não apenas encantam pela beleza, mas também abrigaram manifestações de queerness e resistência política.

Queerness na arquitetura: além das formas visíveis

O estudo traz à tona um olhar revolucionário sobre a arquitetura Awadhi, marcada por uma multivalência que permite múltiplas interpretações e sentidos, um conceito intrinsecamente ligado à própria essência da queerness. Ao desconstruir a narrativa colonial que tachava essas estruturas de vulgares e degradadas, o livro mostra como a arquitetura Nawabi serviu para desconcertar o olhar normativo europeu e criar espaços onde o excesso, a teatralidade e a pluralidade eram celebrados.

Essa abordagem ressoa profundamente com a comunidade LGBTQIA+, pois evidencia como espaços e identidades que fogem às normas heteronormativas sempre existiram, mesmo que silenciados ou marginalizados.

Qaiserbagh e Bada Imambara: palcos de resistência e performance

Entre os exemplos mais emblemáticos está o complexo Qaiserbagh, idealizado pelo Nawab Wajid Ali Shah, um governante que usava sua corte como um palco onde música, dança e política se entrelaçavam. Conhecido por sua paixão pela dança kathak e por performances luxuosas, Wajid Ali Shah desafiava as expectativas de gênero e poder, criando um ambiente de queerness e extravagância.

Por outro lado, o poeta Nawab Asaf-ud-Daula expressava sua resistência por meio da poesia e da exposição consciente de sua imagem, especialmente no Hall dos Espelhos (Aina Khana), onde os visitantes europeus eram refletidos em múltiplos ângulos, obrigados a confrontar sua presença e identidade.

Além disso, o Bada Imambara, construído para sustentar a população faminta, também funcionava como um espaço multifacetado de austeridade, protesto e performance, desafiando interpretações únicas e normativas.

Reescrevendo narrativas e ressignificando espaços

Para Sonal Mithal e Arul Paul, essa reinterpretação queer da arquitetura Nawabi é fundamental para redirecionar o foco para as margens e para as histórias que o colonialismo tentou apagar. O livro abre portas para repensar o legado de Lucknow, mostrando como a arquitetura pode ser um campo fértil para a expressão da diversidade e da resistência.

Esta obra é um convite para a comunidade LGBTQIA+ e para todos que buscam compreender como a história, a arte e a arquitetura podem se entrelaçar para revelar novas narrativas de poder, beleza e identidade, inspirando-nos a celebrar a pluralidade em nossas próprias existências e espaços.

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