Festival exibe obras que abordam transfobia, ativismo e histórias de superação LGBTQIA+
O Queer Lisboa 2025 chega à sua 29ª edição como um verdadeiro espelho do mundo conturbado em que vivemos, trazendo ao público uma seleção intensa e sensível de filmes que exploram as complexas vivências LGBTQIA+ na contemporaneidade. Com uma programação que acontece entre 20 e 27 de outubro, o festival apresenta cerca de uma centena de produções no Cinema São Jorge e na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, convidando a comunidade e aliados a vivenciar histórias que desafiam preconceitos e celebram a diversidade.
Um olhar atento às lutas e desafios queer
Este ano, o festival destaca temáticas urgentes como a transfobia crescente, as políticas rígidas e moralistas sobre migrantes na Europa, e — de forma contundente — o genocídio na Palestina. Também expõe os abusos sexuais perpetrados pela Igreja, o avanço do conservadorismo em discursos públicos e o fortalecimento de regimes autoritários, sempre com a perspectiva crítica e ativista que caracteriza a cultura queer.
Entre as obras de destaque está “Ceci est mon corps“, do diretor Jérôme Clément-Wilz, que aborda os abusos sexuais e morais dentro da Igreja, e “Tese sobre uma domesticação“, de Javier van de Couter, baseado no romance da escritora e atriz trans argentina Camila Sosa Villada, cuja obra foi recentemente publicada em Portugal.
Celebrando artistas e histórias inspiradoras
O festival também homenageia o Brasil com o biográfico “Homem com H“, dirigido por Esmir Filho, que conta a trajetória do icônico artista Ney Matogrosso. Além disso, os espectadores poderão conferir uma seleção de curtas-metragens, a curadoria do coletivo Queer Cinema for Palestine com o filme “No Pride in Genocide” e uma retrospectiva do cineasta francês Lionel Soukaz, falecido em fevereiro deste ano.
Para quem acompanha o cinema português, a estreia de “Neko“, de Inês Oliveira, se destaca ao narrar uma experiência trans iniciática vivida dentro de um grupo de adolescentes em uma Lisboa marcada pela gentrificação.
Documentários que ampliam vozes e perspectivas
O Queer Lisboa 2025 também apresenta documentários impactantes como “Esta Mulher É um Homem“, de André Murraças e Flávio Gil, e “O Meu Reino para um King“, de Sónia Baptista e Raquel Melgue, que exploram identidades e narrativas pouco representadas no audiovisual tradicional.
Uma abertura marcada pela força da história e do amor
A sessão de abertura reserva para o público “Plainclothes“, do norte-americano Carmen Emmi, que traz uma história de amor imersa na década abalada pela crise do HIV/AIDS, refletindo sobre o impacto social e afetivo desse período que marcou a comunidade LGBTQIA+ mundialmente.
O Queer Lisboa reafirma-se como o único festival nacional dedicado exclusivamente a filmes que abordam temas relacionados a pessoas gays, lésbicas, bissexuais, transgênero, transsexual, intersexo e outras identidades e sexualidades não normativas. Parte da programação também será exibida no Queer Porto, de 4 a 8 de novembro, ampliando o alcance e a representatividade queer em Portugal.
Para o público LGBTQIA+ e aliados, o festival é mais que uma mostra cinematográfica: é um espaço de reflexão, resistência e celebração da pluralidade humana, mostrando que o cinema pode ser um poderoso instrumento de transformação social e cultural.
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