Ativista negra e queer transforma desafios em força para criar espaços seguros e inclusivos em Barrie, Canadá
Em meio às celebrações do Mês da História Negra, destacamos a trajetória de Shelly-Ann Skinner, uma mulher negra, queer e mãe que tem se dedicado incansavelmente a amplificar as vozes das comunidades negra e LGBTQIA+ em Barrie, Canadá. Fundadora do UPlift Black Centre for Social Justice and Inclusion, Shelly-Ann não apenas atua como uma ativista e educadora premiada, mas também representa a força da vivência pessoal e coletiva na luta por justiça social.
Uma jornada de resistência e pertencimento
Nascida em Toronto na década de 1980, Shelly-Ann enfrentou desde cedo o desafio de encontrar seu lugar em espaços onde se sentisse plenamente acolhida. Apesar de sua participação em diferentes círculos, incluindo a cena punk universitária em Montreal, ela sentia o peso da exclusão, tanto em ambientes familiares quanto em comunidades queer e negras. Essa busca pela verdadeira pertença a motivou a criar o UPlift Black em 2020, uma organização que oferece serviços culturalmente afirmativos com foco especial nas necessidades queer dentro da comunidade negra.
Desafios interseccionais e a realidade em Barrie
Ao se mudar para Barrie em 2012, motivada pela necessidade de estabilidade para si e seus filhos, Shelly-Ann se deparou com um cenário onde o racismo permeava também os espaços LGBTQIA+, que muitas vezes eram dominados por homens e pouco acolhedores para pessoas negras. Ela relata como, mesmo em ambientes feministas e centrados em mulheres, enfrentou barreiras raciais, o que a impulsionou a fortalecer sua atuação comunitária para criar espaços mais inclusivos e seguros.
Ativismo enraizado na experiência pessoal
O trabalho de Shelly-Ann é profundamente moldado por suas próprias vivências como mulher negra queer, sobrevivente de violência doméstica e mãe que enfrentou instabilidade habitacional. Desde antes da fundação do UPlift Black, ela já colaborava em campanhas para o Barrie Pride, apoiava mulheres e crianças em situação de violência e atuava em escolas para combater a opressão. Ela reconhece que a jornada de visibilidade e engajamento social traz um custo emocional alto, mas também ressalta a importância do autocuidado para continuar sendo uma voz ativa e autêntica.
Legado e esperança para futuras gerações
Para Shelly-Ann, o senso de comunidade é vital. Ela valoriza a presença de artistas, líderes e familiares que a inspiram a ocupar espaços com coragem e autenticidade. Seu desejo é que a representatividade negra e queer ultrapasse o mês de fevereiro, ganhando espaço diário na mídia e na sociedade. Ela alerta para o risco de o interesse pelas causas ser restrito a períodos específicos, o que enfraquece as conquistas e as lutas contínuas.
Ao refletir sobre o futuro, Shelly-Ann demonstra esperança na juventude que segue suas pegadas e na rede de apoio que construiu. Sua aspiração é ser lembrada como uma pessoa “feroz, destemida e imparável” — uma verdadeira força da natureza que transformou desafios em movimento social.
O trabalho de Shelly-Ann Skinner é um poderoso lembrete de que a interseccionalidade das identidades negras e queer exige atenção e ação contínuas. Para a comunidade LGBTQIA+, sua história representa a importância de criar espaços seguros onde todas as vozes possam florescer. Seu legado inspira não apenas resistência, mas também a celebração da diversidade que nos fortalece enquanto sociedade.
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