Atleta LGBTQIA+ desafia preconceitos e usa sua voz para denunciar injustiças em meio ao cenário olímpico
Durante os Jogos Olímpicos de Inverno em Milão e Cortina, o esquiador olímpico Gus Kenworthy, atleta abertamente LGBTQIA+, fez um protesto contundente contra a agência de imigração dos Estados Unidos, ICE (Immigration and Customs Enforcement). O atleta postou uma imagem nas redes sociais que mostrava a frase “F**k ICE” escrita na neve com urina, um gesto que rapidamente se espalhou e gerou uma onda de reações, tanto de apoio quanto de ódio.
Protesto e represálias
Kenworthy, que nasceu no Reino Unido e representa a Grã-Bretanha nesta edição dos Jogos, mas foi criado nos Estados Unidos e competiu pelo país em Olimpíadas anteriores, explicou em um vídeo no Instagram que seu protesto é uma forma de expressar preocupação e indignação com as políticas da agência. Ele destacou que a maioria das pessoas alvo da ICE são imigrantes negros e pardos, pessoas trabalhadoras e pacíficas que buscam uma vida melhor.
Além das mensagens de apoio que recebeu, Gus enfrentou ataques cruéis, incluindo ameaças físicas e comentários homofóbicos. Em suas redes, compartilhou algumas dessas mensagens agressivas, que desejavam desde lesões em suas competições até sua morte. Apesar da hostilidade, ele reafirmou a importância de usar sua plataforma para combater injustiças.
Contexto e solidariedade no esporte
Kenworthy também elogiou outros atletas americanos que se posicionaram contra as políticas atuais, como os esquiadores Hunter Hess e Mikaela Shiffrin. Hess, por sua vez, recebeu críticas públicas do ex-presidente Donald Trump, que o chamou de “perdedor” por expressar opiniões que não refletem totalmente o país que representa.
Outra atleta, a patinadora artística Amber Glenn, também relatou ameaças e decidiu se afastar temporariamente das redes sociais para preservar sua saúde mental.
Liberdade de expressão e foco nas competições
A chefe da equipe olímpica britânica, Katherine Grainger, declarou que Kenworthy não sofrerá punições por seu posicionamento, desde que mantenha o foco em sua performance esportiva. Ela ressaltou que o Comitê Olímpico Internacional tem sido mais receptivo a atletas que expressem suas opiniões, desde que isso não atrapalhe a competição.
Um chamado à empatia e à justiça
Para Gus Kenworthy, amar os Estados Unidos não significa apoiar todas as ações do governo atual, especialmente políticas que ele considera “absolutamente ruins e cruéis”. Ele reforça a importância de lembrar que os Estados Unidos são uma nação formada por imigrantes e que a busca por um sonho americano deve respeitar a dignidade humana e o devido processo legal.
O atleta está programado para competir nas eliminatórias do Halfpipe masculino no dia 19 de fevereiro de 2026, com a final marcada para o dia seguinte.
Gus Kenworthy, ao se posicionar contra o ICE, ilumina uma luta que ultrapassa os limites do esporte, convidando a comunidade LGBTQIA+ e seus aliados a refletirem sobre o poder da voz e da visibilidade em tempos de adversidade. Sua coragem demonstra que o ativismo e a autenticidade podem coexistir em palcos globais, inspirando a todos nós a resistir contra o preconceito e a injustiça, mesmo quando o custo parece alto.
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