Três casais queer unem suas vidas em cerimônia acessível e cheia de alegria na cidade canadense
Em Toronto, Canadá, uma celebração especial de Dia dos Namorados tomou conta da comunidade LGBTQIA+ com um casamento coletivo que reuniu três casais para oficializar suas uniões em um evento marcado por amor, representatividade e acessibilidade. Intitulado “Hitched” — conhecido como o grande casamento gay do Dia dos Namorados de Toronto —, o evento aconteceu no icônico Buddies in Bad Times Theatre, no coração da Village, bairro histórico da cena queer da cidade.
Uma festa de amor e inclusão
Organizado por um coletivo local chamado Something, em parceria com a capelã drag queen Cherri Burstyn e a capela Two of Hearts Chapel, o casamento coletivo foi pensado para desmistificar o alto custo e as barreiras que muitos casais LGBTQIA+ enfrentam para celebrar seu amor oficialmente. A ideia era oferecer uma alternativa acessível, mas ao mesmo tempo grandiosa e cheia de emoção, onde o amor pudesse ser celebrado em alto e bom som, cercado por uma comunidade vibrante e apoiadora.
“Queríamos proporcionar aos casais queer uma forma mais barata de comemorar o amor de maneira barulhenta, animada e intensa”, explicou Megan Appa, cofundadora do Something. Para ela, a força do evento está justamente em criar um espaço onde os noivos são apoiados por uma plateia apaixonada de amigos, familiares e aliados, gerando uma energia contagiante de celebração.
Histórias que inspiram
Entre os casais que oficializaram sua união estava Megan e Emmyn, que se conheceram em um grupo online 2SLGBTQ+ e, após uma conexão rápida e profunda, decidiram que queriam tornar pública sua história de amor. Eles enfrentaram juntos momentos difíceis, como a perda inesperada de um familiar, o que fortaleceu ainda mais o vínculo entre eles.
Para Megan, a cerimônia foi uma oportunidade rara de mostrar a potência do amor femme-amando-femme, uma representação que ainda é pouco vista, especialmente em casamentos públicos. Emmyn, que se identifica como não binário e atua como performer, ressaltou a importância de inspirar jovens queer por meio da visibilidade, mostrando que o amor pode ser verdadeiro, intenso e celebrado sem medo.
Queer joy e resistência cultural
A celebração foi muito mais do que a formalização de uniões — foi uma afirmação de vida, de resistência e de alegria queer. A capelã drag Cherri Burstyn destacou que as cerimônias queer carregam uma intensidade especial, pois refletem a luta histórica por direitos negados em muitos países do mundo. Em um contexto global onde apenas 38 nações reconhecem o casamento igualitário, o evento em Toronto simboliza um avanço e um espaço seguro para o amor florescer.
Hannah Stein, fundadora da Two of Hearts Chapel, cresceu em um ambiente onde o amor 2SLGBTQ+ era celebrado, e ela incorporou essa energia em seu trabalho, ajudando a criar rituais que exaltam a normalidade e a beleza do amor queer, sem estigmas ou sofrimentos obrigatórios.
Celebrar o amor todos os dias
Em meio a um Dia dos Namorados muitas vezes criticado pelo consumismo, o Hitched ressignificou a data com uma festa que trouxe a essência do amor verdadeiro e coletivo para o centro das atenções. Como disse Megan, “por que não celebrar o amor todos os dias?” A resposta está na força da comunidade, no apoio mútuo e na alegria de celebrar sem medo e com orgulho.
Para quem pensa em oficializar sua união, Megan e Emmyn deixam um conselho simples e poderoso: “Se faz sentido para você, é o certo. Vá em frente e faça acontecer.”
Este casamento coletivo em Toronto é um lembrete vibrante de que o amor LGBTQIA+ merece ser celebrado em todas as suas formas, em espaços acessíveis e com muita festa, trazendo esperança e inspiração para toda a comunidade.
Mais do que uma cerimônia, o Hitched representa um movimento cultural que fortalece laços, desafia padrões e ilumina o caminho para que mais pessoas queer possam viver seu amor com orgulho e liberdade. Em tempos em que direitos ainda são ameaçados em várias partes do mundo, encontros como este mostram a potência da união e da alegria como formas de resistência e afirmação da identidade LGBTQIA+.
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