Estilista cria marca que valoriza cultura negra e periférica, vestindo Pabllo Vittar e fortalecendo a identidade LGBTQIA+
No coração do Pirambu, bairro periférico de Fortaleza, Caio Souza costura mais que roupas: ele tece histórias, identidades e resistência. Criador da Hust Street, uma marca de moda de rua que celebra a cultura negra e periférica, Caio transforma vivências e memórias marginalizadas em peças autênticas que reverberam nas batalhas de rima, nos palcos de artistas como Pabllo Vittar e nas ruas onde a moda é expressão e afirmação.
Moda periférica que nasce da história e da fé
Desde os 14 anos, Caio costura inspirado pela máquina da avó e pela urgência de resgatar a cultura da favela brasileira. A Hust Street nasceu oficialmente em 2021, após uma profunda investigação familiar e comunitária, que revelou histórias esquecidas, como a do tio José Wellington, assassinado jovem, mas que hoje inspira estampas e grafites nas roupas da marca.
Com o lema “Fé em quem tá na pista”, a Hust Street não apenas produz roupas, mas veste batalhas, sonhos e resistências. A marca é uma homenagem às raízes do Pirambu, à religiosidade afro-brasileira e às trajetórias de jovens negros que constroem sua identidade nas ruas, nas rimas e nas expressões artísticas.
Representatividade e inclusão na passarela da vida
Caio acredita que a Hust é uma potente forma de representatividade. A moda, para ele, é um registro cultural e uma linguagem de pertencimento para a comunidade periférica. Em parceria com seu irmão, o fotógrafo Carll Souza, a marca escolhe modelos negros que muitas vezes nunca haviam se sentido vistos pelas lentes. Essa escolha consciente amplia a voz e a visibilidade daqueles que vivem à margem, reforçando o poder da moda periférica como ferramenta de empoderamento.
Moda sustentável e compromisso social
A Hust Street também é pioneira em sustentabilidade no cenário local. Com técnicas de reworking e atenção rigorosa para evitar o desperdício de tecido, a marca trabalha com 0% de lixo têxtil, desafiando o modelo tradicional da indústria da moda. Além disso, o projeto social “Arteculando”, idealizado por Caio, promove arte e educação para crianças da periferia, fortalecendo o movimento hip hop e a cultura urbana como caminhos de transformação social.
O futuro da moda periférica no Pirambu
Caio sonha em expandir a Hust Street, contratando mais talentos da comunidade para costura e serigrafia, valorizando cada profissional com remuneração justa. Para ele, a moda periférica é mais que um negócio: é um espaço de afeto, pertencimento e luta contra a invisibilidade.
Em um país onde a cultura negra ainda luta por reconhecimento, a moda periférica do Pirambu que Caio Souza impulsiona vai além do tecido: ela costura identidade, resistência e orgulho. Para a comunidade LGBTQIA+, que também encontra nas ruas um espaço de expressão e resistência, iniciativas assim representam a potência de ser visto, ouvido e celebrado em todas as suas cores e formas.
É na costura das histórias e no vestir das vivências que a moda periférica se torna um ato político e afetivo, abrindo caminhos para que cada pessoa LGBTQIA+ da periferia possa brilhar com autenticidade e orgulho. A Hust Street é prova viva de que a moda pode ser ferramenta de transformação social, inclusiva e libertadora.
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