Diversidade e inclusão marcam os desfiles dos blocos LGBTQIA+ que conquistaram público hetero e lotaram o centro e o Ibirapuera
O Carnaval de São Paulo em 2026 foi palco para a vibrante presença dos blocos LGBTQIA+, que mais uma vez se consolidaram como grandes protagonistas da folia de rua paulistana. Com um público diverso e plural, os blocos como Minhoqueens, Dramas de Sapatão e Agrada Gregos arrastaram multidões, atraindo não apenas pessoas LGBTQIA+, mas também muitos foliões heterossexuais, celebrando a inclusão e a diversidade que marcam a cidade.
Minhoqueens e a energia das drags no centro
O Minhoqueens abriu a tarde de desfiles no centro da cidade com uma concentração já lotada na esquina das avenidas Ipiranga e São João. Fundado em 2016 pela drag queen Mama Darling, que comemorava dez anos de folia, o bloco reuniu uma comissão de frente formada por outras drags, e seu cortejo percorreu a avenida Ipiranga até a Praça da República. Com shows animados de Lia Clark, MC Xuxu e Paola Cadillac, o trio elétrico vibrava com o som alto, contagiando a todos com seu axé eletrônico e pop.
Dramas de Sapatão: um espaço seguro e acolhedor
Próximo dali, no Largo do Arouche, o bloco Dramas de Sapatão fez jus ao seu nome, trazendo à avenida um espaço seguro e acolhedor para lésbicas e para toda a diversidade de identidades. Criado pelas influenciadoras Dady Veríssimo e Pam Santos, o bloco nasceu para combater a violência verbal e física que muitas mulheres LGBTQIA+ enfrentam durante o Carnaval. A festa, embalada por um repertório de pancadão e outros ritmos sob as árvores da praça, atraiu um público diverso, que se somou à folia com alegria e respeito.
“O Dramas de Sapatão existe para a gente sambar na cara da sociedade contra todos os preconceitos”, declarou Dady. “Todas são bem-vindas, seja lá qual for sua identidade e sexualidade.”
Agrada Gregos: pop, axé e funk no Ibirapuera
Na região do Parque do Ibirapuera, o bloco Agrada Gregos levou uma mistura contagiante de pop, axé e funk para a avenida Pedro Álvares Cabral. Considerado o maior bloco LGBTQIA+ do Brasil, o Agrada Gregos reuniu nomes conhecidos como Gretchen e Gloria Groove, em um desfile profissionalizado que celebrou o amor e a diversidade com fantasias inspiradas na Grécia Antiga, numa brincadeira que ganhou vida própria entre os foliões.
Para muitos, como o estudante Vicente, de 22 anos, a sexualidade não foi barreira para a diversão. “A gente nem sabia que o bloco é LGBT. Ele é? Para gente, honestamente, isso nem importa”, afirmou, acompanhado da namorada e amigos vestidos de gregos da antiguidade.
O impacto dos blocos LGBTQIA+ no Carnaval paulistano
O fortalecimento dos blocos LGBTQIA+ no Carnaval de São Paulo reflete uma transformação cultural que valoriza a diversidade e cria espaços de acolhimento para todas as identidades. O fenômeno segue o caminho da Parada do Orgulho LGBT+ da cidade, que há anos ultrapassa as siglas e se tornou uma das maiores festas e manifestações culturais da capital paulista.
Além de animar as ruas, esses blocos proporcionam visibilidade e segurança para a comunidade LGBTQIA+, tornando o Carnaval um momento de celebração e resistência contra preconceitos e violências.
O protagonismo dos blocos LGBTQIA+ no Carnaval paulistano é mais do que uma festa: é um ato político e cultural que reforça a importância de espaços inclusivos, onde todas as formas de amar e existir possam se expressar livremente. Para a comunidade LGBTQIA+, essa conquista simboliza a ampliação da representatividade e o fortalecimento de uma identidade coletiva que pulsa com orgulho e alegria nas ruas da cidade.
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