O espetáculo “Homens Pink”, apresentado por Renato Turnes no 33º Festival de Curitiba, traz uma reflexão profunda sobre o envelhecimento na comunidade gay. Em um mundo onde os homens gays da terceira idade frequentemente enfrentam o etarismo, o espetáculo busca valorizar suas histórias e experiências de vida, desafiando os estigmas que cercam a velhice.
Turnes, que também dirigiu um documentário homônimo disponível no YouTube, se inspira em relatos de homens gays com mais de 70 anos, como o ex-curador Celso Curi. Ele destaca a importância de falar sobre o envelhecimento de maneira inovadora e bem-humorada, afirmando que “Precisamos falar sobre o envelhecimento de forma inovadora”.
“Homens Pink” é uma celebração da vida e da criatividade de homens que, mesmo durante períodos difíceis como a repressão da ditadura, conseguiram se destacar e criar uma identidade rica e vibrante. O espetáculo não se limita a narrativas de opressão, mas sim procura mostrar as alegrias e os desafios vividos por essa geração, como a história de Julio Rosa, um cabeleireiro que, apesar de uma infância complicada, encontrou espaço para sua expressão artística e sua identidade.
Além de entreter, o espetáculo também visa restabelecer conexões entre as gerações, especialmente em relação à epidemia de Aids que devastou a comunidade nos anos 1980. Turnes conclui enfatizando a importância do reconhecimento da luta dos mais velhos, afirmando que “é essencial que os jovens reconheçam a luta e a vida que existiram antes deles”. Assim, “Homens Pink” se torna um importante veículo de memória e aprendizado para a nova geração, promovendo um futuro mais inclusivo e esperançoso para todos na comunidade LGBT.