As reuniões de estudos bíblicos em Harvard estão se tornando um espaço acolhedor e inclusivo para estudantes, especialmente para aqueles que pertencem à comunidade LGBT. Anna G. Dean, uma estudante que não se identificava como cristã, encontrou um lar no grupo Queer-Affirming and Feminist Bible Study, que oferece uma interpretação progressista das escrituras. Dean destaca que este grupo é fundamental para validar suas dúvidas sobre a fé, permitindo que ela explore o cristianismo sem abrir mão de suas preocupações sobre patriarcado e diversidade sexual.
O grupo se reúne semanalmente na Memorial Church e se dedica a ler a Bíblia sob uma perspectiva queer e feminista, buscando representar identidades que muitas vezes estão ausentes nas interpretações tradicionais. “Estamos apenas cristãos que têm uma interpretação progressista da Bíblia e acreditamos no amor que Jesus pregou”, afirma Dean. A escolha do grupo por focar no Evangelho de Marcos neste semestre é um reflexo do desejo de encontrar mensagens de justiça social em meio a um clima político desafiador.
Além do grupo de Dean, outras comunidades também se reúnem para discutir as escrituras sob diferentes prismas, como o Harvard-Radcliffe Asian American Christian Fellowship. Este grupo explora como as passagens bíblicas se relacionam com a dinâmica familiar, especialmente entre os estudantes de origem asiática, que muitas vezes enfrentam dificuldades em expressar afeto. Matthew Zhang, membro do AACF, explica como essas discussões ajudam a formar laços mais profundos entre os participantes, criando um espaço seguro para compartilhar vulnerabilidades e experiências pessoais.
Os estudos bíblicos em Harvard não servem apenas como um meio de interação social, mas também como uma forma de enriquecer a vida acadêmica. Yona T. Sperling-Milner, co-facilitadora do Jewish-Christian Bible Study, observa que esses encontros oferecem uma oportunidade para discussões abertas que muitas vezes faltam nas aulas. “Estamos tentando construir uma comunidade de buscadores, e para isso, é necessário se envolver com as experiências uns dos outros”, afirma ela.
Este intercâmbio de ideias e interpretações, que inclui perspectivas judaicas e cristãs, enriquece a compreensão das escrituras e promove um diálogo significativo entre diferentes tradições religiosas. Caleb A. Chung, também co-facilitador do estudo judaico-cristão, acredita que a diversidade de tradições de leitura é vital para a compreensão conjunta do texto sagrado.
A experiência de Dean, que passou de uma estudante que não se identificava como cristã a uma organizadora de um grupo que acolhe a diversidade, ilustra a importância desses espaços. “Finalmente me senti vista e percebi que havia outras pessoas como eu, que estavam questionando os ensinamentos que receberam na infância”, reflete ela. Esses grupos em Harvard não apenas enriquecem a vida espiritual dos estudantes, mas também fortalecem a comunidade, oferecendo um espaço seguro onde todos podem explorar suas crenças e identidades sem medo de julgamento.
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