Decisão final da conferência frustram ativistas e adia transição energética global
Na reta final da COP30, realizada na Amazônia, a decisão que poderia guiar o mundo no abandono dos combustíveis fósseis ficou de fora do documento oficial, frustrando ambientalistas e ativistas climáticos. Apesar da urgência climática e do apelo de líderes mundiais, incluindo o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, o texto final não traz um roteiro claro para a transição energética.
O documento, chamado de “Decisão Mutirão”, foi divulgado após intensas negociações que se estenderam pela madrugada. Cerca de 80 países apoiavam a criação de um mapa para eliminar gradualmente o uso de petróleo, carvão e gás natural — os maiores responsáveis pelo aquecimento global. Porém, a resistência de potências produtoras de petróleo, como Arábia Saudita e Rússia, bloqueou essa inclusão.
Desmatamento e adaptação: avanços tímidos
Embora o texto reconheça a importância da Amazônia, o roteiro para combater o desmatamento também não foi detalhado, apesar de ser uma das principais demandas de quase 90 nações. O documento apenas reforça o compromisso de ampliar esforços para frear o desmatamento e a degradação florestal até 2030, sem estabelecer metas ou estratégias concretas.
Um ponto positivo foi a menção à necessidade de triplicar os recursos financeiros para adaptação às mudanças climáticas até 2035, especialmente para países em desenvolvimento que já enfrentam eventos extremos, como secas e enchentes. Ainda assim, a meta foi vista como insuficiente por especialistas, que desejavam que os recursos chegassem até 2030.
O acordo também definiu indicadores para medir a adaptação climática, incluindo saúde, saneamento e treinamento, com possibilidade de revisão em dois anos para aumentar a ambição do texto.
Financiamento climático e inclusão dos povos indígenas
O financiamento climático permanece um tema controverso. A COP30 decidiu criar um grupo de trabalho de dois anos para discutir o assunto, reduzindo o prazo inicialmente proposto. Contudo, a ampliação do debate para incluir recursos privados gerou preocupações entre os países mais pobres, que dependem do financiamento público.
Além disso, o documento não ampliou o volume de recursos prometidos pelos países ricos, mantendo a meta de mobilizar pelo menos US$ 300 bilhões anuais até 2035 para as nações em desenvolvimento — valor considerado insuficiente para a crise atual.
Uma conquista importante da conferência foi o reconhecimento explícito do papel dos povos indígenas na mitigação climática, incluindo a defesa de seus direitos territoriais e conhecimentos tradicionais. Essa vitória reforça a importância da diversidade e da inclusão na luta contra o aquecimento global.
Apesar dos avanços pontuais, a ausência de um roteiro para abandonar os combustíveis fósseis evidencia a complexidade política e econômica que cerca as negociações climáticas globais. O adiamento das decisões mais duras põe em risco a ambição necessária para limitar o aumento da temperatura e proteger o planeta.
Para a comunidade LGBTQIA+, que historicamente tem sido marginalizada em debates políticos e ambientais, a luta por justiça climática é também uma luta por justiça social. A COP30 reforça que as crises são interligadas e que a proteção dos territórios indígenas, a inclusão de vozes diversas e o compromisso real com a transição energética são fundamentais para um futuro mais justo e sustentável para todas as identidades.