Mulher negra do Norte do Brasil representa o cinema periférico na escolha do filme brasileiro para o Oscar
Eva Pereira, uma voz potente do cinema do Norte do Brasil, alcança um marco histórico ao ser convidada para integrar a comissão que escolherá o filme brasileiro que representará o país na disputa pelo Oscar 2026, na categoria de Melhor Filme Internacional. A notícia, oficializada pela Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais, celebra não só a trajetória da cineasta, mas também a valorização de narrativas periféricas e a diversidade no audiovisual nacional.
Uma representante da força do Norte e da diversidade
Natural do Tocantins, Eva é uma mulher negra, criada em meio à natureza do cerrado, onde o acesso ao cinema era limitado. Sua trajetória inspira e fortalece a representatividade LGBTQIA+ e a pluralidade cultural brasileira. Para Eva, estar nesta comissão é uma vitória coletiva: “Sou filha do mato, mulher preta, do Norte do Brasil. Ser escolhida para essa comissão é uma honra e um símbolo de que outras meninas como eu também podem chegar”, declarou emocionada.
O cinema que transforma e conecta
Fundadora da produtora Cunhã Porã Filmes, Eva tem o compromisso de contar histórias que falam de ancestralidade, identidade e direitos humanos. Seu trabalho é reconhecido internacionalmente, com o longa “O Barulho da Noite” circulando em festivais de três continentes e conquistando múltiplos prêmios. Além disso, sua versatilidade transparece ao dirigir episódios para plataformas como Disney+ e Prime Video, com produções que celebram a cultura brasileira.
Participar da comissão que escolherá o filme brasileiro para o Oscar não é apenas uma responsabilidade, mas também uma oportunidade de ampliar ainda mais a voz do cinema periférico e autoral, especialmente vindo do interior e da região Norte.
Descentralização e representatividade no audiovisual brasileiro
A inclusão de Eva Pereira na comissão do Oscar reflete uma mudança importante no cenário audiovisual do país, que busca descentralizar o poder e abrir espaço para diferentes perspectivas. Ao lado de figuras renomadas, a cineasta fortalece a representatividade de mulheres negras, da zona rural e da comunidade LGBTQIA+, mostrando que o cinema pode ser um motor de transformação social e cultural.
Próximos passos e legado
Com mais de duas décadas de experiência, Eva está preparando novos projetos, como o longa “Luzilia – O Sertão em Meus Olhos” e outros filmes que resgatam histórias do Norte e do cerrado brasileiro. Sua produtora, Cunhã Porã Filmes, se destaca por dar visibilidade a vozes até então marginalizadas, reafirmando a importância de um cinema que dialoga com as múltiplas realidades do país.
Para a comunidade LGBTQIA+ e para todos que buscam representatividade, a trajetória de Eva Pereira é um farol de esperança e inspiração, mostrando que é possível romper barreiras e ocupar espaços de decisão no cinema nacional e internacional.