Acusações de discriminação e homofobia são retiradas após pressão financeira e judicial
Um ex-assessor do deputado republicano do Texas, Troy Nehls, encerrou a ação judicial que alegava ter sido pressionado a deixar o cargo devido à sua orientação sexual. A desistência do processo, anunciada recentemente, não envolverá qualquer acordo financeiro, segundo informou o gabinete do parlamentar.
Alex Chadwell, que trabalhou nos escritórios de Nehls em Washington e no Texas, entrou com o processo em 2024, denunciando um ambiente de trabalho hostil e apontando que o chefe de gabinete do deputado teria feito comentários homofóbicos. Entre as acusações, estava a de que Nehls teria pedido a outra pessoa para confirmar a orientação sexual de Chadwell e, ao confirmar que ele era gay, passou a excluí-lo social e profissionalmente.
Apesar de uma data para julgamento ter sido marcada para o segundo semestre deste ano, as partes decidiram pela desistência do processo, com cada uma arcando com seus próprios custos advocatícios, conforme documentos judiciais. O juiz federal responsável homologou o encerramento do caso.
Reação do gabinete e motivos da desistência
Emily Matthews, porta-voz de Nehls, classificou a ação como “infundada e sem qualquer base factual”. Ela afirmou que o processo sempre teve como objetivo obter dinheiro, e que o gabinete recusou qualquer acordo envolvendo recursos públicos. “O autor tentou negociar um acordo duas vezes, mas deixamos claro que ele não receberia um centavo”, disse Matthews, que também mencionou a possibilidade de abrir um processo por difamação.
Por sua vez, Chadwell, por meio de seu advogado, explicou que o alto custo financeiro de um litígio federal foi decisivo para a desistência. “Gostaria de ter levado o caso até o julgamento para mostrar o quão enraizada era a atitude anti-gay no escritório do deputado Nehls, de cima a baixo”, declarou, ressaltando que precisou pensar no seu futuro e nos riscos envolvidos.
Detalhes das acusações
O processo relatava que Robert Schroeder, chefe de gabinete de Nehls, teria proferido frases como “gays vão para o inferno” e a expressão “Adão e Eva, não Adão e Steve”, além de outras piadas ofensivas direcionadas a pessoas LGBTQIA+.
Chadwell iniciou suas atividades como correspondente legislativo no escritório de Washington em janeiro de 2021, mas pediu transferência para o escritório distrital após enfrentar hostilidade direta por parte de Schroeder. Posteriormente, o deputado teria mudado o tratamento com Chadwell, deixando de incluí-lo em atividades e ignorando suas tentativas de contato. O ex-assessor também foi excluído de viagens e eventos oficiais, e até de interações sociais com o deputado e sua esposa.
O desligamento de Chadwell em outubro de 2023 teria ocorrido após pressões para que ele aceitasse um emprego em outra organização, com chamadas diárias e declarações de que não teria futuro no gabinete de Nehls, segundo a denúncia.
Reflexões sobre o impacto da homofobia no ambiente político
Esse episódio expõe como o preconceito e a homofobia ainda podem permear espaços de poder, mesmo em estruturas oficiais. Para a comunidade LGBTQIA+, casos assim reforçam a urgência de políticas de inclusão, respeito e proteção contra discriminação no trabalho.
Além disso, a desistência do processo por questões financeiras evidencia as barreiras que pessoas LGBTQIA+ enfrentam para buscar justiça, especialmente diante de ambientes hostis. O silêncio forçado pode impactar não só a vida profissional, mas também o bem-estar emocional e a representatividade dentro do cenário político.
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