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Reginaldo Faria volta ao cinema aos 88

Ator retorna às telas com um filme feito ao lado dos filhos e põe o etarismo no centro da conversa. Entenda por que isso repercute.
Reginaldo Faria volta ao cinema aos 88

Ator retorna às telas com um filme feito ao lado dos filhos e põe o etarismo no centro da conversa. Entenda por que isso repercute.

Reginaldo Faria voltou ao cinema aos 88 anos em Perto do Sol é mais claro, longa que estreia nos cinemas nesta semana e reúne o ator com os filhos Régis, Marcelo e Carlos André Faria, no Rio de Janeiro. O nome do veterano entrou em alta no Brasil porque a entrevista sobre o novo trabalho, publicada nos últimos dias, reacendeu o interesse do público por sua trajetória e por sua fala direta contra a invisibilidade na velhice.

Dirigido e escrito por Régis Faria, o filme foi exibido primeiro no Festival do Rio de 2025 e agora chega ao circuito comercial com um caráter assumidamente artesanal. Além de atuar, Reginaldo também assina a trilha sonora, enquanto o projeto foi construído com participação intensa da própria família, inclusive usando casas reais como locação e objetos pessoais em cena. O resultado, segundo os envolvidos, mistura afeto, memória e ficção sem se apresentar como autobiografia.

Por que Reginaldo Faria está em alta agora?

O assunto ganhou força porque a volta de Reginaldo Faria ao cinema veio acompanhada de uma declaração que conversa com muita gente:

“Eu não quero me deixar morrer, quero continuar vivendo.”

A frase resume o espírito de um artista que segue ativo mais de seis décadas depois de O assalto ao trem pagador, clássico de 1962 dirigido por seu irmão, Roberto Farias.

No novo longa, Reginaldo interpreta um engenheiro de 85 anos que vive o luto pela morte da mulher, mantém uma rotina de exercícios, continua trabalhando e tenta escrever seu primeiro livro. Ao mesmo tempo, enfrenta uma sociedade que insiste em enxergá-lo como alguém já “encerrado”. Foi justamente essa percepção, segundo Régis, que motivou o projeto durante a pandemia, quando pai e filho passaram a conviver mais de perto.

O diretor contou que observava no pai — e também na mãe, Kátia Achcar — a frustração com a dificuldade de escuta dedicada às pessoas mais velhas. Mesmo produtivos e em atividade, eles sentiam um tipo de apagamento social, algo agravado pela velocidade das redes e pela lógica de descarte tão comum no ambiente digital.

O que o filme diz sobre envelhecimento e invisibilidade?

Perto do Sol é mais claro foi feito em preto e branco e acompanha um personagem que deseja seguir vivendo em plenitude. Reginaldo afirmou que não teve dificuldade para entrar no papel porque já carregava em si parte dessas emoções, como a solidão, a separação e a vontade de continuar criando. Para ele, seguir trabalhando é também uma forma de enfrentar a depressão e sustentar a própria vitalidade.

Marcelo Faria definiu o longa como um presente, destacando a experiência rara de contracenar com o pai e o irmão mais novo, sendo dirigido por outro irmão. Já Carlos André avaliou que a obra tem uma verdade emocional muito forte, justamente porque usa nomes reais, fotos da família e relações que existem fora da tela. Régis, por sua vez, pondera que a história em si é ficcional, embora o sentimento seja real.

Esse ponto ajuda a explicar por que a repercussão foi além do público tradicional de cinema. Há um debate contemporâneo importante aí: o etarismo. Em um país que envelhece rapidamente, a representação de pessoas idosas como sujeitos de desejo, trabalho, criação e autonomia continua sendo um tema urgente. E isso também interessa à comunidade LGBTQ+.

Por que esse debate importa para pessoas LGBTQ+?

Envelhecer ainda é um tema sensível dentro da comunidade LGBTQ+, especialmente porque muitos homens gays cresceram sob forte pressão estética e social para parecer sempre jovens, produtivos e desejáveis. Quando um ator veterano como Reginaldo Faria ocupa o centro da conversa pública para afirmar que quer continuar vivendo, trabalhando e sendo visto, ele toca num ponto que ultrapassa sua biografia e dialoga com a necessidade de combater a cultura do descarte em todas as suas formas.

Embora o filme não trate especificamente de sexualidade, sua mensagem conversa com um valor caro ao público de A Capa: o direito de existir com dignidade em qualquer idade. Em um cenário em que pessoas idosas — inclusive LGBTQ+ — ainda enfrentam solidão, invisibilidade e pouca representação na cultura pop, obras assim ajudam a ampliar o imaginário sobre o que significa envelhecer no Brasil.

Além do novo longa, qual é o momento atual do ator?

Reginaldo vive uma fase especialmente movimentada. Além de Perto do Sol é mais claro, ele também está em cartaz com a comédia Velhos bandidos, de Cláudio Torres, ao lado de nomes como Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Tony Tornado e Nathália Timberg. O filme também aborda etarismo. E há mais: o ator foi escalado para Por você, próxima novela das 19h da TV Globo, em que interpretará Manoel, amigo da personagem de Renata Sorrah.

Ou seja, não se trata apenas de uma participação pontual. Trata-se de um artista que segue produzindo em cinema e televisão e que faz questão de rejeitar o olhar de invisibilidade. Perto dos 89 anos — ele mesmo corrigiu que ainda falta um pouco para os 90 —, Reginaldo aparece em plena atividade e com lucidez celebrada pela própria família.

Na avaliação da redação do A Capa, a repercussão em torno de Reginaldo Faria revela algo maior do que a curiosidade por um nome conhecido da TV e do cinema: ela expõe uma conversa necessária sobre etarismo, afeto e permanência. Num tempo obcecado por novidade e juventude, ver um artista veterano reivindicar presença, trabalho e desejo de viver é um gesto cultural poderoso — e profundamente humano.

Perguntas Frequentes

Qual é o novo filme de Reginaldo Faria?

O ator estrela Perto do Sol é mais claro, drama dirigido por seu filho Régis Faria e feito com participação de outros membros da família.

Por que Reginaldo Faria virou assunto no Google Trends?

Porque sua volta ao cinema aos 88 anos, somada à fala sobre continuar vivendo e rejeitar a invisibilidade, gerou forte repercussão nas buscas no Brasil.

O filme de Reginaldo Faria é autobiográfico?

Segundo os próprios envolvidos, não. A história é ficcional, mas usa nomes, objetos e relações reais da família, o que dá ao longa uma verdade emocional muito forte.


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