História de duas mulheres que se conheceram no convento, deixaram a vida religiosa e hoje estão casadas mobiliza o Brasil. Entenda.
A palavra freira entrou em alta no Google no Brasil nesta quinta-feira (22), impulsionada pela repercussão da história de Francília Costa e Luiza Silvério, duas ex-religiosas que se conheceram em um convento, deixaram a vida missionária e hoje estão casadas. O caso ganhou força nas redes e nos buscadores após reportagem publicada pela BBC News Brasil.
As duas se conheceram quando tinham cerca de 20 anos e viviam o processo de formação religiosa. No começo, segundo relataram, a relação foi marcada por antipatia mútua. Com o tempo, porém, a convivência no convento se transformou em amizade. Ambas haviam entrado na vida religiosa por motivações parecidas: um forte senso de missão, desejo de servir a Deus e uma formação marcada pela fé católica.
Por que o tema freira está em alta no Brasil?
O interesse explodiu porque a história reúne elementos que costumam gerar grande engajamento público: religião, saúde mental, recomeço de vida e uma relação amorosa entre duas mulheres dentro de um contexto tradicionalmente conservador. Além disso, o caso toca em um debate muito presente no Brasil de 2026: como pessoas LGBTQIA+ conciliam fé, pertencimento religioso e afetos sem abrir mão de si mesmas.
Segundo a reportagem original, a saída do convento não aconteceu por causa de um romance secreto ou por uma “fuga” da sexualidade, interpretação que Luiza faz questão de rejeitar. As duas afirmam que, quando ingressaram na vida religiosa, estavam genuinamente comprometidas com o celibato e com a missão católica. Antes mesmo dessa fase, já se entendiam como bissexuais, mas dizem que isso não determinou a entrada no convento.
A ruptura com a vida religiosa veio depois, por razões ligadas à saúde mental. Luiza enfrentou episódios intensos de ansiedade após a morte da avó materna e recebeu diagnóstico de depressão. Fran, durante a pandemia de covid-19, passou a conviver com medos excessivos e foi diagnosticada com síndrome do pânico. Em comum, as duas perceberam que não conseguiriam seguir naquele ritmo sem priorizar o próprio cuidado.
Como a amizade no convento virou casamento?
Depois de deixarem o convento, as duas precisaram lidar com desafios bem concretos. Havia insegurança sobre trabalho, formação profissional e sustento. Fran, por exemplo, contou que precisou comprar roupas novas porque tudo o que tinha estava ligado à vida missionária. As duas também relataram dificuldade para imaginar a reinserção no mercado de trabalho após anos dedicadas à formação religiosa.
Para dividir despesas, especialmente aluguel, decidiram morar juntas ainda como amigas. Foi nesse período de recomeço que a relação mudou de lugar. Fran contou que resolveu abrir o coração depois de assistir ao filme Amor em Verona, uma comédia romântica em que personagens que começam se estranhando acabam se apaixonando. O sentimento era recíproco. A amizade virou namoro e, depois, casamento.
Hoje, Fran e Luiza seguem católicas praticantes. Elas contam que continuam vivendo a fé, mas de outro modo. Também participam do Diversidade Católica, rede formada por grupos, pastorais e movimentos de católicos LGBTQIA+. Nas redes sociais, passaram a compartilhar a própria trajetória e a receber mensagens de pessoas que vivem dilemas parecidos — tanto fiéis cristãos com dúvidas sobre sexualidade quanto pessoas LGBT com receio de se aproximar da religião.
O que essa história diz sobre fé, acolhimento e comunidade LGBT?
Um ponto importante do relato é que os principais conflitos narrados por elas não vieram da família. Segundo as duas, houve acolhimento dentro de casa, algo que infelizmente ainda não é a realidade de muitas pessoas da comunidade LGBT no Brasil. Os dilemas mais profundos surgiram no campo religioso: como permanecer na fé católica quando a instituição não reconhece plenamente a relação que construíram?
A resposta delas foi construída aos poucos, a partir da ideia de que fé e sexualidade não precisam ser tratadas como partes separadas da existência. Essa formulação ajuda a explicar por que a história repercutiu tanto entre leitores LGBTQIA+ e também entre pessoas religiosas que se sentem atravessadas pelas mesmas perguntas.
Outro aspecto que chama atenção é o novo sentido de missão que as duas atribuem à própria trajetória. Em vez do convento, elas dizem que hoje sua missão passa por escutar, orientar e acolher pessoas nas redes. Além da produção de conteúdo, Luiza atua com consultoria documental no ramo imobiliário, enquanto Fran trabalha com gestão e estratégia de marketing digital.
Na avaliação da redação do A Capa, a força dessa história está justamente em romper uma falsa escolha que ainda machuca muita gente no Brasil: a ideia de que uma pessoa LGBT precisa abandonar a fé para viver sua verdade, ou negar a própria identidade para permanecer em espaços religiosos. O caso de Fran e Luiza não resolve esse conflito estrutural da Igreja Católica, mas mostra com clareza que existem vivências reais, brasileiras e profundamente humanas para além do julgamento.
No contexto legal brasileiro, vale lembrar que o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo é reconhecido no país desde 2013 por resolução do Conselho Nacional de Justiça. Já no campo religioso, o reconhecimento continua dependendo de cada instituição e segue sendo motivo de tensão para muitos casais LGBTQIA+ de fé.
Perguntas Frequentes
Quem são as ex-freiras que viralizaram?
São Francília Costa e Luiza Silvério, duas mulheres que se conheceram em um convento, deixaram a vida religiosa por questões pessoais ligadas à saúde mental e hoje estão casadas.
Elas saíram do convento por causa do relacionamento?
Segundo o relato das duas, não. A decisão de sair aconteceu por motivos distintos relacionados à saúde mental, e o romance surgiu depois, quando já moravam juntas fora do convento.
Elas continuam na Igreja Católica?
Elas afirmam que seguem católicas praticantes e participam de iniciativas como o Diversidade Católica, voltadas a fiéis LGBTQIA+.
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