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Igreja Anglicana na Nova Zelândia lança rede LGBTQIA+ pioneira

Te Ara Aroha fortalece inclusão e apoio a pessoas Takatāpui e LGBTQIA+ na comunidade anglicana
Igreja Anglicana na Nova Zelândia lança rede LGBTQIA+ pioneira

Te Ara Aroha fortalece inclusão e apoio a pessoas Takatāpui e LGBTQIA+ na comunidade anglicana

A Igreja Anglicana na Nova Zelândia e Polinésia deu um passo histórico para a inclusão e visibilidade da comunidade LGBTQIA+ ao lançar a primeira rede Rainbow oficialmente reconhecida em seus estatutos. A Te Ara Aroha Rainbow Takatāpui Allies Network (TAARTAN) chega para fortalecer a presença, o acolhimento e a defesa dos direitos das pessoas Takatāpui, LGBTQIA+ e MVPFAFF dentro da igreja, promovendo também apoio a sobreviventes de exclusão e abuso.

Um espaço seguro e acolhedor para a diversidade

O objetivo da TAARTAN é criar uma rede ampla para o whakawhanaungatanga — ou seja, a construção de laços familiares e comunitários — que nutra espiritualmente as pessoas LGBTQIA+ e Takatāpui na igreja. A rede quer garantir que todos possam se sentir pertencentes, oferecendo suporte e representatividade para que a comunidade Rainbow encontre voz e espaço dentro da tradição anglicana.

Segundo Etienne Wain, membro do grupo coordenador, a rede é uma bandeira que voa para que os anglicanos Takatāpui saibam que existe um lugar para eles, com apoio e defesa de seus direitos. A ideia é que a TAARTAN sirva para conectar expressões locais da comunidade Rainbow por toda a Nova Zelândia, Polinésia e Aotearoa, fortalecendo o sentido de pertencimento.

Reconhecimento oficial e apoio episcopal

A formação da rede foi recebida com entusiasmo pelo Bispo de Auckland, Right Reverend Ross Bay, que assumiu o papel de ‘Bispo Protetor’ da TAARTAN. Ele ressaltou que a iniciativa é um importante passo para que a igreja ouça melhor seus membros e avance rumo a um futuro mais inclusivo e acolhedor para todas as pessoas.

Geremy Hema, também do grupo de coordenação, apresentou a constituição da rede ao Comitê Permanente do Sínodo Geral da Igreja Anglicana, reforçando que a TAARTAN é uma casa com a porta sempre aberta para todos que buscam inclusão e respeito.

Desafios e avanços na Igreja Anglicana

Embora 10 das 12 dioceses anglicanas da Nova Zelândia e Polinésia autorizem bênçãos para casais Rainbow em uniões civis ou casamentos seculares, os estatutos oficiais da igreja ainda definem casamento cristão apenas entre homem e mulher. A Diocese de Nelson e a Diocese da Polinésia mantêm essa definição tradicional, sem autorizar bênçãos para casais do mesmo sexo.

Frances Brown, membro da TAARTAN na Catedral de St Mary em Taranaki, destaca a importância de avançar para a plena afirmação das minorias sexuais e de gênero, incluindo o acesso total ao casamento e à ordenação. Ela lembra que pesquisas mostram que o tratamento da comunidade Rainbow pela igreja tem levado pessoas a se afastarem, pois não se identificam com valores que não incluem diversidade.

“Quero ver essa rede trazendo energia para impulsionar a igreja rumo à igualdade no casamento”, afirma Frances.

Um movimento que representa mais que uma igreja

A TAARTAN também dedica esforços para advocacy e pesquisa em prol de pessoas Rainbow fora da igreja, incluindo apoio a vítimas de abuso ou exclusão. A rede é um marco não só para a Igreja Anglicana, mas para o cenário religioso neozelandês, já que outras denominações tradicionais ainda não possuem redes Rainbow formalmente reconhecidas.

O termo Takatāpui é um conceito tradicional Māori que significa “amigo íntimo do mesmo sexo”, mas que hoje engloba toda a diversidade de gênero e sexualidade das pessoas Māori. Já o MVPFAFF refere-se a identidades de terceiros gêneros polinésios, como Mahu, Fa’afafine e outras.

Indivíduos, grupos e unidades ministeriais podem se afiliar à rede por meio do site oficial da TAARTAN, ampliando o alcance e fortalecendo a comunidade LGBTQIA+ no contexto anglicano.

Essa iniciativa da Igreja Anglicana na Nova Zelândia representa uma transformação cultural profunda, que reconhece a diversidade como parte essencial da espiritualidade e do convívio comunitário. Para a comunidade LGBTQIA+, é um sinal claro de que o espaço religioso também pode ser um lugar de acolhimento, respeito e luta por direitos. TAARTAN mostra que fé e identidade podem caminhar juntas, abrindo caminhos para que mais igrejas ao redor do mundo repensem suas estruturas e acolham plenamente suas comunidades.

Mais do que uma rede, TAARTAN é um símbolo de esperança e resistência, um convite para que a espiritualidade abrace todas as cores do arco-íris, celebrando a riqueza da diversidade humana com amor e justiça.

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