Com humor e música, peça aborda desafios da criação e resistência dos artistas na cena contemporânea
Michel Melamed, ator, diretor e compositor, estreia no Sesc Copacabana o espetáculo “O Funcionário Que Pede Para Não Ser Identificado”, uma obra que mistura humor, música à capela e uma crítica afiada ao mercado artístico atual. A montagem retrata a rotina de uma funcionária de um setor fictício que regula a aprovação de projetos artísticos, revelando as dificuldades e entraves burocráticos que muitos artistas enfrentam para realizar seus trabalhos.
Crítica à burocracia e ao sistema de produção
Na peça, a personagem principal se vê incapaz de criar algo original, preferindo rejeitar as ideias dos outros até que resolve montar sua “Obra de Arte Total” a partir da colagem de tudo o que foi recusado. Essa metáfora reforça a sensação de muitos artistas LGBTQIA+ que, mesmo com tanta criatividade, são barrados por sistemas rígidos e pouco inclusivos.
Michel Melamed destaca que o espetáculo nasceu de seu próprio processo criativo e da inquietação constante em torno da criação artística. Ele afirma que a criatividade é essencial na vida e que imaginar alternativas é um desafio diário para todas as pessoas, especialmente para quem vive na luta por representatividade e espaço na arte.
Um elenco potente e plural
Ao lado de Melamed, o espetáculo conta com um elenco formado por Inez Viana, Simone Mazzer, Thalma de Freitas e Yasmin Gomlevsky, mulheres talentosas que trazem força e diversidade para a montagem. O ator celebra a parceria como uma união poderosa e necessária para dar vida a essa narrativa tão urgente.
Reflexões sobre a arte e a resistência
O artista ressalta que o problema enfrentado pelos criadores não é a falta de ideias, mas a dificuldade em tirar essas ideias do papel. A limitação dos modelos de produção e financiamento torna inviável o desenvolvimento contínuo de trabalhos autorais, o que pode levar ao esgotamento dos artistas. Essa realidade é especialmente dura para a comunidade LGBTQIA+, que muitas vezes encontra menos oportunidades no mercado tradicional.
Michel Melamed já acumulou experiência em diversas linguagens artísticas, transitando entre teatro, literatura, televisão e música. Para ele, essa multiplicidade é uma estratégia para surpreender o público e convidá-lo a refletir sobre o visível e o invisível no processo criativo.
Novos projetos e desejo de retorno às novelas
Além da peça, Melamed já prepara novos trabalhos, incluindo uma série para streaming. Ele também demonstra interesse em voltar a atuar em novelas, formato que lhe proporcionou grande aprendizado e prazer no passado. Para ele, a arte deve ser acessível e democrática, e sua produção, cada vez mais diversa e representativa.
Serviço
“O Funcionário Que Pede Para Não Ser Identificado”
Até 24 de maio
Quintas e sextas, às 20h; sábados e domingos, às 18h
Sesc Copacabana – Arena
Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana
Ingressos a partir de R$ 15
Este espetáculo é um convite para que a comunidade LGBTQIA+ e o público em geral reflitam sobre as barreiras invisíveis que artistas enfrentam, muitas vezes exigindo uma criatividade ainda maior para driblar preconceitos e limitações institucionais. Michel Melamed e seu elenco mostram que resistir e criar é um ato político e urgente, um chamado para ampliar espaços e vozes na arte contemporânea.
Em tempos em que a representatividade importa mais do que nunca, trabalhos como esse são essenciais para dar visibilidade às lutas e conquistas da comunidade LGBTQIA+. Eles nos lembram que a arte é um poderoso instrumento de transformação social, capaz de desafiar o status quo e celebrar a diversidade em todas as suas formas.
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