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A primeira identidade LGBTQIA+: história e linguagem além das palavras

Exposição em Chicago revela as origens do termo 'homossexual' e desafia narrativas coloniais sobre a identidade queer
A primeira identidade LGBTQIA+: história e linguagem além das palavras

Exposição em Chicago revela as origens do termo ‘homossexual’ e desafia narrativas coloniais sobre a identidade queer

Na reta final até 26 de julho de 2025, a exposição A Primeira Homossexualidade: O Nascimento de uma Nova Identidade, em Chicago, Illinois, oferece uma reflexão profunda e necessária sobre as origens da linguagem LGBTQIA+ e os limites das categorias que usamos para nos definir. Mais do que um recorte histórico, a mostra provoca um olhar crítico sobre como o termo “homossexual” surgiu em 1869 e como ele, desde então, tem sido tanto um instrumento de libertação quanto de opressão.

Quando a linguagem molda — e limita — nossas identidades

O termo “homossexual” apareceu pela primeira vez em um jornal ativista alemão, num apelo para a descriminalização das relações entre pessoas do mesmo sexo na Prússia. A partir dali, ele passou a ser usado como uma categoria médica e social, criando uma divisão binária entre heterossexualidade e homossexualidade que ainda ecoa — e que, hoje, se mostra insuficiente para abarcar a diversidade de identidades e expressões de gênero existentes.

Essa visão europeia e colonial da sexualidade apagou, por séculos, modos mais amplos e sagrados de viver a diversidade, presentes em inúmeras culturas indígenas ao redor do mundo. Comunidades como os hijra no Sul da Ásia, os muxe no México e os femminielli no sul da Itália, por exemplo, possuem termos e tradições que reconhecem e celebram a diversidade de gênero e afetividade muito antes da criação do termo “homossexual”.

Entre o apagamento e a resistência

O curador Johnny Wallis, responsável pela exposição junto com o historiador Jonathan Katz, destaca que a ideia de que a homossexualidade foi “inventada” em 1869 é, na verdade, um reflexo das imposições coloniais que apagaram identidades e linguagens ancestrais. “A sexualidade não é uma categoria natural, mas histórica, sujeita aos contextos sociais e culturais”, explica Wallis.

Além disso, a mostra não evita as contradições e as tensões dentro da própria história queer branca: muitas obras refletem preconceitos, violence e estereótipos raciais até dentro das comunidades LGBTQIA+. Apesar disso, o acervo inclui obras raras e pioneiras, como as primeiras representações de casais do mesmo sexo na arte europeia e das identidades trans modernas, muitas delas inéditas fora de seus países de origem.

Um espelho para o presente

Em um momento em que a visibilidade e os direitos LGBTQIA+ são atacados em vários lugares, especialmente nos Estados Unidos, onde leis anti-LGBTQIA+ crescem e a censura de temas queer em escolas e espaços públicos avança, esta exposição é um lembrete poderoso da resistência histórica e da importância da representação.

A linguagem pode ser uma arma, mas também um caminho para a liberdade. Mesmo antes da palavra “homossexual” existir, pessoas LGBTQIA+ viveram, amaram, criaram e expressaram suas identidades através da arte, da cultura e da comunidade — e continuarão a fazê-lo, independentemente das palavras que o mundo tenta impor.

Esta mostra não apenas revisita o passado, mas também convida a celebrar a ancestralidade queer, a diversidade de identidades e a luta contínua contra apagamentos e preconceitos, reforçando que a existência LGBTQIA+ ultrapassa termos e fronteiras coloniais.

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