Polícia Civil de SP abre inquérito após episódios polêmicos no Programa do Ratinho no SBT
A Polícia Civil de São Paulo iniciou um inquérito para apurar possíveis condutas discriminatórias contra pessoas LGBTQIA+ atribuídas a Carlos Massa, mais conhecido como Ratinho, apresentador do SBT. A investigação foi aberta em 21 de maio, motivada pela repetição de três episódios controversos exibidos em um intervalo de apenas dois meses.
Três episódios que acenderam o alerta
O primeiro episódio ocorreu em março, quando Ratinho questionou a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. Em suas falas, o apresentador afirmou que a parlamentar “não era indicada” para o cargo por ser transexual, gerando uma ação judicial por transfobia movida pela deputada, que também pede direito de resposta e indenização. Ratinho, por sua vez, respondeu com uma ação por difamação.
O segundo episódio se deu em maio, quando o apresentador declarou estar “preocupado” ao ver casais homoafetivos se beijando em público. Essa fala repercutiu negativamente nas redes sociais, provocando queixas ao Ministério Público e o início de uma investigação paralela.
O terceiro caso aconteceu em 11 de maio, durante o quadro “Dez ou Mil”, no qual Ratinho teria feito comentários homofóbicos direcionados a participantes LGBTQIA+, sugerindo que eles não seriam “machos de verdade”.
Investigação e silêncio da emissora
O inquérito tramita sob sigilo no 7º Distrito Policial de Osasco, com prazo inicial de 30 dias, podendo ser prorrogado. Ratinho e membros da equipe do programa devem ser convocados a prestar depoimentos. Apesar do programa ser exibido pelo SBT, a emissora não está formalmente incluída na investigação e optou por não comentar o caso.
A assessoria do apresentador informou que Ratinho não fará declarações sobre assuntos jurídicos. A Secretaria de Segurança Pública confirmou a abertura da investigação, ressaltando que detalhes serão preservados para garantir a autonomia do trabalho policial.
Um debate necessário sobre representatividade e respeito
Esse caso levanta reflexões importantes sobre o espaço que figuras públicas ocupam na mídia e o impacto de suas palavras na comunidade LGBTQIA+. A repetição dos episódios e a mobilização judicial indicam um crescente combate à discriminação e à transfobia no Brasil.
Para a comunidade LGBTQIA+, a investigação contra Ratinho simboliza uma luta por respeito, dignidade e visibilidade em espaços que historicamente reproduziram preconceitos. Além disso, reforça a necessidade de responsabilização quando o discurso público perpetua estigmas e exclusões.
Mais do que um episódio isolado, essa investigação representa um momento crucial para o debate sobre diversidade e inclusão no entretenimento brasileiro. É fundamental que a mídia abrace a pluralidade e promova narrativas que fortaleçam, e não diminuam, a comunidade LGBTQIA+.
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