A repressão contra a comunidade LGBT na Rússia atingiu novos patamares alarmantes, especialmente após a invasão da Ucrânia. O caso de Andrey Kotov, um empresário de 48 anos que foi preso sob alegações de violar as leis anti-LGBT do país, exemplifica essa escalada. Kotov, conhecido por sua paixão por aquários e por operar uma agência de turismo, foi detido em 30 de novembro de 2024, quando a polícia invadiu seu apartamento em Moscou. Ele foi brutalmente espancado e, um mês depois, morreu em uma cela de prisão, com a mídia estatal alegando suicídio, enquanto amigos acreditam que ele foi assassinado.
A prisão de Kotov coincidiu com uma série de operações policiais em clubes e bares de Moscou, que foram descritas como parte de uma campanha para combater a “propaganda LGBT”. Desde 2013, a Rússia vem implementando legislação que criminaliza a promoção de relações sexuais não tradicionais, e essa repressão se intensificou nos últimos anos, especialmente com a expansão da chamada “lei de propaganda gay”. Em dezembro de 2022, a lei foi ampliada, proibindo qualquer forma de expressão pública da identidade LGBT, resultando na retirada de livros, filmes e na censura de sites.
Além disso, o governo russo, sob a liderança de Vladimir Putin, tem utilizado a retórica anti-LGBT como uma forma de desviar a atenção da guerra e reforçar um discurso conservador que contrasta os valores tradicionais da Rússia com o que considera a degeneração ocidental. Advogados que representam indivíduos LGBT relatam um aumento nas perseguições, com clientes sendo acusados de atividades extremistas apenas por se identificarem como LGBT.
As autoridades também estão intensificando esforços para identificar e perseguir supostos “extremistas LGBT”, incluindo operações em clínicas médicas e festas. Há até relatos de que um registro para LGBT pode ser criado, embora a implementação enfrente desafios práticos. Esse clima de medo e repressão forçou muitos na comunidade LGBT a se esconderem, desenvolvendo normas de comportamento e códigos culturais para se protegerem.
O caso de Kotov e outros incidentes semelhantes refletem a crescente marginalização da comunidade LGBT na Rússia, onde as leis e a opressão estatal estão moldando um ambiente hostil. À medida que os direitos civis são suprimidos e a sociedade civil é silenciada, a luta pela liberdade e dignidade da comunidade LGBT na Rússia se torna cada vez mais crítica e urgente.
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