Decisão histórica elimina punições discriminatórias contra pessoas LGBTQ+ nas polícias e forças armadas
Em um marco decisivo para os direitos LGBTQ+ na República Dominicana, o Tribunal Constitucional declarou inconstitucionais as leis que criminalizavam relações consensuais entre pessoas do mesmo sexo nas Forças Armadas e na Polícia Nacional do país.
Até então, os códigos disciplinares dessas instituições aplicavam penas de até dois anos de prisão por “sodomia” entre oficiais, penalidade que não existia para atos heterossexuais, evidenciando o caráter discriminatório dessas normas.
Uma vitória contra a discriminação institucional
O Tribunal afirmou que as menções à “sodomia” são incompatíveis com a Constituição e ordenou a retirada dessas cláusulas dos códigos. A decisão ressaltou que punir atos entre pessoas do mesmo sexo dentro das corporações não possui interesse constitucional legítimo nem contribui para a eficiência institucional.
Em uma forte defesa dos direitos individuais, o tribunal enfatizou: “Nenhuma norma estatal ou privada pode restringir os direitos de uma pessoa com base em sua orientação sexual, um aspecto essencial da privacidade e do desenvolvimento da personalidade.”
Impacto para a comunidade LGBTQ+ dominicana
Por décadas, essas leis forçaram oficiais LGBTQ+ a viverem sob medo constante de punição por sua orientação. Cristian González Cabrera, pesquisador sênior da Human Rights Watch, que apoiou o caso, declarou: “Essa decisão reafirma que um futuro mais inclusivo é possível e necessário dentro da legislação dominicana.”
Organizações como a Human Rights Campaign também celebraram a sentença, chamando-a de “vitória histórica que põe fim a um regime de discriminação estatal contra pessoas lésbicas, gays, bissexuais e trans”.
O advogado Anderson Javiel Dirocie De León, um dos responsáveis pela contestação das leis, destacou: “Este resultado representa o primeiro caso de aplicabilidade geral que avança na igualdade e dignidade para pessoas LGBTI na República Dominicana. Ainda há muito a fazer, mas esse precedente é histórico na luta contra a discriminação por orientação sexual.”
Desafios ainda persistentes no Caribe
Apesar desse avanço, a República Dominicana ainda está atrás de vários países do Caribe em termos de direitos LGBTQ+. O país não reconhece legalmente uniões entre pessoas do mesmo sexo, não possui leis anti-discriminação abrangentes, proíbe adoção por casais homoafetivos e não reconhece oficialmente identidades não binárias.
Por outro lado, o país mantém a legalidade de cuidados de saúde afirmativos de gênero e não impõe censura a conteúdos LGBTQ+, diferentemente de alguns vizinhos caribenhos.
Regiões do Caribe e da África ainda lutam contra leis coloniais que criminalizam relações homoafetivas consensuais, legado do período imperial britânico. Cinco países de língua inglesa no Caribe ainda mantêm essas proibições.
Cristian González fez um apelo para que o governo dominicano avance: “O presidente Luis Abinader e o Congresso devem aproveitar esse momento para implementar proteções contra discriminação e violência, alinhando a República Dominicana ao progresso da América Latina e reafirmando o compromisso com a igualdade e dignidade para todos.”
Essa decisão do Tribunal Constitucional é muito mais do que uma vitória legal: é um passo significativo para que a comunidade LGBTQ+ dominicana possa viver com mais liberdade e respeito. A luta por direitos plenos ainda segue, mas a derrubada dessas leis abre caminho para um futuro menos opressor e mais inclusivo.
Para nós, que acompanhamos as batalhas diárias por reconhecimento e segurança, essa vitória representa esperança e inspiração. Que esse precedente estimule outras nações a revisarem suas legislações e que a visibilidade e a dignidade LGBTQ+ sejam cada vez mais celebradas, fortalecendo a diversidade que enriquece nossas sociedades.