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Retrospectiva: Os fatos políticos que marcaram o mundo gay em 2008

2008 praticamente acabou, provavelmente nada de efetivo irá acontecer nas searas do mundo político. Por conta disso, fizemos uma cronologia com tudo o que aconteceu de mais importante na política no que diz respeito aos LGBT. Para começar, duas coisa precisam ser citadas aqui e que não estarão presentes, pois transcendem os meses e dias.

A primeira diz respeito ao Projeto de Lei Câmara 122 de 2006, que visa criminalizar a homofobia em todo o território brasileiro. O movimento LGBT não se entende e não se comunica. Do outro lado as bancadas religiosas impõem derrota atrás de derrota e cada dia que passa conseguem engavetar o PLC 122/06. Assim, a homofobia continua impune.

Em um caso mais especifico, se trata do governo estadual de São Paulo nas mãos de José Serra que, quando candidato tinha todo um plano destinado aos LGBT. Já passam de dois anos de governo e nada até agora. Até o governo antecessor fez mais ao criar a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADI) e aprovar a lei 10.948/01 – que pune atos discriminatórios no Estado de São Paulo. O máximo que assistimos do atual governo foi a criação de um "espaço gay" na Assessoria de Defesa da Cidadania a partir da ida de Dimitri Sales ao órgão.

Março
O governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, faz escola no que diz respeito a atuar em favor dos direitos LGBT. Foi à Justiça e venceu importante batalha: todos os servidores públicos com parceiros do mesmo sexo do Rio de Janeiro passaram a ter o direito a pensão reconhecida.

Governo Federal apóia união homossexual – Em pronunciamento à imprensa, o Ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, disse que qualquer lei que torne legal a união civil entre homossexuais "tem amplo apoio do governo". Então, por que o projeto da Marta Suplicy continua na gaveta?

Abril
A dois anos da disputa pela presidência da república brasileira, surge o primeiro pré-candidato. Um detalhe: se trata de um gay. Roberto Espírito Santo, que se intitula como "primeiro candidato gay a presidente do Brasil". Roberto pretende se candidatar pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), isso se ele for aprovado nas primárias. Entre suas declarações, destaque para afirmação de que "o PLC 122 fere a liberdade de expressão e crença". Ele vai longe.

Governo Federal faz lançamento público da I Conferência Nacional GLBT. Marcaram presença no encontro o Ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, a ex-ministra do turismo Marta Suplicy, Nilcéa Freire da Secretaria Especial das Mulheres e o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

Junho 
O presidente Lula abre a I conferência Nacional GLBT e compara a luta homossexual a luta do Movimento Sem Terra. Ainda em seu depoimento declara ser necessário "criar o dia da hipocrisia para acabar com o preconceito no Brasil". Momento histórico.

Durante a I Conferência Nacional GLBT a deputada e presidente da Frente Parlamentar GLBT, Cida Diogo (PT-RJ), anuncia a sua candidatura a prefeitura de Volta Redonda. Ela não se elegeu.

Senadora Fátima Cleide (PT-RO) assume a presidência da Frente Parlamentar GLBT.

Julho
O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) lança comitê LGBT para a campanha a prefeitura do então candidato Geraldo Alckmin.

Agosto
A base do governo Lula fez acordo com a bancada fundamentalista e retirou artigo que iria instituir a adoção aos casais gays do Brasil na reforma da lei de adoção. Não foi dessa vez.

Setembro
Para a surpresa de muita gente o candidato a prefeitura de São Paulo pelo PSDB, Geraldo Alckmin, comparece ao encontro com os LGBT de seu partido e garante que em sua gestão "a Parada de São Paulo será mais que um orçamento". O candidato, no entanto, não se elegeu.

A candidata pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Marta Suplicy, comparece ao encontro com os LGBT de sua campanha e pede a eles que peçam votos "nas boates".

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o candidato à prefeitura de São Paulo, Paulo Maluf (PP), declara que "casamentos entre homens não é normal". 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista à TV Brasil pede o fim da hipocrisia no que diz respeito a união entre pessoas do mesmo sexo. "Acho que nós temos de parar com hipocrisia, porque a gente sabe que existe. Tem homem morando com homem, mulher morando com mulher e muitas vezes vivem bem, de forma extraordinária. Constroem uma vida juntos, trabalham juntos e por isso eu sou favorável", declarou o presidente.

O candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, o pastor Marcelo Crivela (PR-RJ), declara que o PLC 122 "é uma excrescência".

O candidato a prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), não comparece ao encontro com LGBT e sua vice, Alda Marcoantonio vai em seu lugar. Na ocasião, questionada por jornalista a respeito da Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual (CADS), ela reconhece desconhecer a secretaria.

Kassab abre feira cristã e na ocasião se recusou a assinar termo contra o PLC 122. O então canditado se declarou "a favor da diversidade sexual".

Outubro
Na véspera do primeiro turno das eleições, candidatos gays e com plataformas totalmente LGBT participam de debate promovido por Bill da Pizza. Marcaram presença no encontro os candidatos: Salete Campari, Léo Áquilla, Marcos Fernandes, Kaká Di Polly e Jacque Chanel. Nenhum deles se elegeu. 

Luizianne Lins (PT-CE) se reelege no primeiro turno para a prefeitura do Ceará. Seu mandato foi marcado por várias ações pró-LGBT. Durante a campanha ela foi alvo de perseguição religiosa, onde outdoors espalhados pela cidade a acusavam de ser contra Deus por defender os homossexuais.

O candidato homofóbico e pastor Marcelo Crivela, perde as eleições no primeiro turno.

Findado o primeiro turno das eleições, apenas quatro candidatos gays se elegeram em todo o Brasil, são eles: Léo Kret por Salvador, José Itaparandi pela Cidade do Paço do Lumiar (MA), Sander Simaglio em Alfenas (MG)e  Anselmo Fabiano Santos, também do estado de Minas Gerais, foi eleito pelo PR na cidade de Itaúna.

O segundo turno das eleições iniciam. No Rio de Janeiro Eduardo Paes (PMDB-RJ) e Fernando Gabeira (PV-RJ) assinam compromisso com o movimento LGBT.

Os ânimos se esquentam em São Paulo quando a campanha da candidata Marta Suplicy (PT-SP) divulgou vídeo homofóbico contra o adversário Kassa

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  1. Pois é! Belo texto jornalístico, perfeito para a gente refletir e refletir: mais um ano se acaba sem a PL122 aprovada, sem o Casamento gay e o Brasil continua campeão em assassinatos de homossexuais e campeão em conferências e mais conferências, todas pagas com o dinheiro público, o seu, o meu e o nosso. Enquanto isso, vários outros países latino-americanos já aprovaram tudo, sem tanta ladainha dispendiosa. Tem algo errado aí, não? A nossa militância virou um espaço de ódio entre as pessoas (basta ver nas listas de discussão…); briga de egos e desvio de verbas, sempre as mesmas figurinhas carimbadas em todas as mesas e “conferências”. Depois, essa mesma “liderança” acusa de que os/as jovens LGBT não se interessam pela luta por seus Direitos. Lutar em espaços desagradáveis e de ódio? Desde quando isso foi revolucionário ou foi luta?

  2. Infelizmente ainda não fizeram uma lei contra deputados homofóbicos,q por sua vez existem e muitas vezes são eleitos e vão fazendo com q o preconceito cresça cada vez mais!é lamentável,mas vivemos aqui no brasil e nosso dever é lutar sempre!!A ditaduta foi derrubada e a homofobia pode e deve ser derrubada tmb!!infelizmente o principal movimente gay no brasil:a famosa parada gay,perde seu conceito e real finalidade quando alguns gays praticam atos sexuais públicos por exemplo….um começo seria resgatar isso:a decência entre os gays!!!essa é minha opinião:às vezes os próprios gays,infelizmente,ajudam o preconceito a crescer!!!!!obs:a capa é uma das m elhores revistas q já vi e li!porq ela não é comercializada em bancas,etc?????

  3. Excelente retrospectiva. Parabéns. Na minha opinião, faltou, porém, mencionar a visita de Gilberto Kassab, como prefeito da cidade de São Paulo, à Associação da Parada do Orgulho LGBT – único prefeito que fez isso em São Paulo. De qualquer forma, jornalismo é edição da realidade e, a meu ver, este texto está bastante abrangente e objetivo, o que é um mérito. Bom ver o A Capa assim. Longa vida ao site, à revista e um excelente 2009 para toda a equipe.

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