Com 93 anos, Tiana inspira resistência e visibilidade para pessoas trans idosas no Brasil
A premiada série documental LGBT+60: Corpos que Resistem acaba de lançar um episódio especial em formato de curta-metragem que homenageia a trajetória de Tiana Cardeal, reconhecida como a travesti mais velha do Brasil, com 93 anos. O episódio, produzido e roteirizado pelo jornalista Yuri Alves Fernandes, está disponível no YouTube da plataforma #Colabora e nas redes sociais da série, reforçando a importância da visibilidade e do respeito às pessoas LGBTQIA+ idosas.
Nascida em Guanhães, Minas Gerais, e atualmente moradora de Governador Valadares, Tiana Cardeal carrega uma história marcada por desafios e superações. Desde a infância, enfrentou preconceito, exclusão social e dificuldades, como a falta de direitos trabalhistas em seus empregos informais. Apesar das adversidades, ela mantém uma visão otimista da vida e celebra o reconhecimento que sua história vem ganhando.
Resistência e luta por dignidade
O curta também é um convite para a solidariedade: uma campanha de arrecadação foi lançada para ajudar Tiana a melhorar as condições de sua casa, que possui um telhado que torna o ambiente excessivamente quente e enfrenta outras carências básicas. A campanha, idealizada por amigos, busca proporcionar mais conforto e dignidade para essa mulher que é símbolo de resistência.
“Vou fazer 93 anos este mês, sou a travesti mais velha do Brasil, e sou muito respeitada, considerada e amada. Eu estou feliz, e agradeço a idade que Deus me deu até agora”, declara Tiana, emocionando com sua força e serenidade.
LGBT+60: um espaço para histórias silenciadas
Com três temporadas e mais de 12 milhões de visualizações, a série LGBT+60 tem como missão dar voz às pessoas LGBTQIA+ idosas, cujas histórias foram frequentemente apagadas ou ignoradas. Yuri Alves Fernandes, idealizador do projeto e da produtora Filmes Frescos, reforça a importância de incluir Tiana na narrativa da série:
“Em 2025, Tiana teve sua história contada no documentário ‘Meu nome é Tiana’, produzido pela HBO Max. Desde então, entendi que ela precisava estar também em LGBT+60. Virou um compromisso pessoal não deixar essa história se perder. Quanto mais essa trajetória for documentada, menor a chance de ser apagada.”
Para Yuri, o impacto dessa representatividade é enorme, especialmente para a população trans brasileira: “Muitas pessoas trans dizem que, pela primeira vez, conseguem se enxergar na velhice. E aí vem a Tiana com 93 anos, mostrando que é possível chegar ainda mais longe, apesar da transfobia. Ela se torna espelho, esperança e futuro.”
Reconhecimento e premiações
Desde sua estreia em 2018, LGBT+60 acumula prêmios nacionais e internacionais, entre eles o Rio Webfest, Digital Media Americas Awards e reconhecimento do International Center for Journalists na Itália. O sucesso da série reforça a relevância de contar histórias que valorizam a diversidade etária e de gênero dentro da comunidade LGBTQIA+.
Ficha técnica do episódio especial
- Direção e roteiro: Yuri Alves Fernandes
- Direção de fotografia: Matheus Dutra
- Produção: Yuri Alves Fernandes
- Assistência: Lucas Jayder
- Montagem e finalização: Ludu Oliveira
- Colorização: Lucas Jayder
- Pesquisa: Sara Fernanda Lima Ribeiro e Yuri Alves Fernandes
- Produzido por: #Colabora e Filmes Frescos
- Produtora associada: ME Studios
- Assessoria de imprensa: Prisma Colab
O episódio especial está disponível no canal oficial do #Colabora no YouTube e nas redes sociais da série LGBT+60 (@lgbtmais60 no Instagram e TikTok).
Essa produção é um marco para a comunidade trans e para todas as pessoas LGBTQIA+ que buscam inspiração para viver uma velhice digna, livre de preconceitos e invisibilidade. Tiana Cardeal não é apenas a travesti mais velha do Brasil, mas um símbolo vivo de resistência, amor-próprio e esperança para gerações futuras.
Celebrar a trajetória de Tiana é celebrar a existência de todas as pessoas LGBTQIA+ que desafiam o tempo e a opressão para viverem com orgulho e liberdade. Sua história ressoa como um chamado urgente para que a sociedade reconheça, respeite e valorize a diversidade em todas as idades. Que o exemplo da Tiana inspire novas narrativas e fortaleça a luta por inclusão e justiça social dentro da comunidade LGBTQIA+.
Que tal um namorado ou um encontro quente?


