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Viagem de beleza na Coreia: o poder e a dor dos tratamentos K-Beauty

Descubra a experiência transformadora e desafiadora de um jornalista LGBTQIA+ em busca da pele perfeita em Seul, Coreia do Sul
Viagem de beleza na Coreia: o poder e a dor dos tratamentos K-Beauty

Descubra a experiência transformadora e desafiadora de um jornalista LGBTQIA+ em busca da pele perfeita em Seul, Coreia do Sul

Quando o meu irmão mais velho, Josh, um gay casado e entusiasta do skincare coreano, me convidou para uma aventura estética em Seul, Coreia do Sul, eu não hesitei. Aos 41 anos, longe do universo dos cosméticos sofisticados e mais próximo da rotina básica de cuidados, aceitei o desafio de explorar os tratamentos de beleza que, segundo ele, são ilegais nos Estados Unidos. Afinal, para quem vive na comunidade LGBTQIA+, o cuidado com a aparência muitas vezes vai além da vaidade: é uma expressão de identidade e resistência.

O fascínio do K-Beauty e a promessa de rejuvenescimento

A Coreia do Sul é uma potência global no mercado da beleza, com um setor que movimenta bilhões e influencia tendências mundo afora. A febre do K-Beauty chegou até nós pelas redes sociais, com influenciadores e celebridades que exibem peles impecáveis. Na clínica SNV, famosa por atender até mesmo as Kardashians, fomos submetidos a exames detalhados de pele por meio de scanners 3D, que revelaram nossas imperfeições com precisão quase cruel.

Para Josh, a revelação foi uma face com vermelhidão severa e poros dilatados, apesar de sua rotina rigorosa. Para mim, surgiram alertas sobre pés de galinha moderados a severos, linhas entre as sobrancelhas que aprofundavam e um contorno facial que começava a se modificar. O diagnóstico era claro: era hora de agir.

Entre radiofrequência, ultrassom e injeções de DNA de salmão

Iniciamos com o Geneo X, um esfoliante que prometia suavidade, seguido pelo Ultherapy, que utilizava ultrassom para estimular a firmeza da pele. A sensação de agulhadas durante o Potenza, um tratamento de radiofrequência com microagulhamento, já era desconfortável, mas nada comparado à verdadeira provação: as injeções de Rejuran, um produto à base de polideoxirribonucleotídeos extraídos do DNA do salmão, proibido nos EUA.

Foram cerca de 150 picadas pelo rosto, um processo doloroso que me fez questionar minha sanidade. O objetivo era estimular a produção natural de colágeno e elastina, uma promessa de rejuvenescimento profundo e duradouro, mas o preço emocional e físico foi alto. O rosto inchado, vermelho e marcado após o procedimento parecia mais um campo de batalha do que um spa.

Reflexões sobre beleza, identidade e comunidade

Após duas semanas, o inchaço diminuiu e a pele começou a revelar uma textura mais firme, embora a transformação não tenha sido milagrosa. O processo me fez refletir sobre o que significa cuidar da aparência na comunidade LGBTQIA+. Muitas vezes, a busca pela beleza é também uma busca por aceitação, segurança e expressão pessoal em um mundo que ainda nos marginaliza.

Este relato não é apenas sobre tratamentos estéticos, mas sobre a coragem de enfrentar dores e desconfortos em nome do amor-próprio e da autoafirmação. Na comunidade LGBTQIA+, onde os corpos e rostos frequentemente carregam histórias de luta, encontrar formas de se sentir bem consigo mesmo pode ser um ato revolucionário.

Por fim, viajar até a Coreia do Sul para experimentar o K-Beauty foi mais do que uma jornada física: foi uma imersão cultural e emocional que reforçou a importância de abraçarmos nossa identidade com orgulho, mesmo que isso signifique passar por algumas agulhadas pelo caminho.

Seja qual for o caminho que escolhemos para cuidar de nós, a beleza verdadeira está na autenticidade e na coragem de ser quem somos. E, para a comunidade LGBTQIA+, esses tratamentos são mais do que estética: são uma celebração de existência.

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