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Visto de Trump encalha e frustra a Casa Branca

Programa de residência para milionários nos EUA teve adesão mínima desde 2025 e ficou muito abaixo da promessa oficial. Entenda.
Visto de Trump encalha e frustra a Casa Branca

Programa de residência para milionários nos EUA teve adesão mínima desde 2025 e ficou muito abaixo da promessa oficial. Entenda.

O visto lançado por Donald Trump para atrair milionários aos Estados Unidos voltou a chamar atenção no Brasil nesta semana após novos números oficiais mostrarem um desempenho muito abaixo do prometido pela Casa Branca. Sete meses depois de entrar em vigor, o chamado Gold Card somou apenas 338 interessados e, até o fim de abril de 2026, teve só uma aprovação efetiva nos EUA.

O tema entrou em alta porque reúne três ingredientes que costumam mobilizar buscas: imigração, política americana e a figura de Trump. No caso brasileiro, há também curiosidade sobre como funcionam vistos de residência em outros países, especialmente num momento em que mobilidade internacional, segurança jurídica e direitos civis seguem no radar de muita gente — inclusive da comunidade LGBTQ+, que frequentemente acompanha políticas migratórias com atenção redobrada.

O que é o visto Gold Card de Trump?

Anunciado em fevereiro de 2025 e implementado em setembro do mesmo ano, o programa prevê residência acelerada nos Estados Unidos para estrangeiros que paguem US$ 1 milhão. Segundo o governo americano, a proposta foi desenhada para substituir o visto EB-5, que já existia há décadas e exigia investimento em empresa com pelo menos 10 funcionários.

Pelo novo modelo, além da opção individual de US$ 1 milhão, empresas também podem pagar US$ 2 milhões para garantir residência a um funcionário estrangeiro, somando ainda uma taxa anual de manutenção de 1%. Na prática, a iniciativa foi apresentada como uma forma de atrair pessoas muito ricas, com promessa de geração de receita e estímulo econômico.

Mas os números divulgados pelo próprio governo dos EUA mostram uma distância enorme entre propaganda e realidade. Dos 338 interessados registrados, apenas 165 pagaram a taxa inicial de processamento, de US$ 15 mil. Desses, 59 avançaram para uma etapa posterior de envio de dados e análise. No fim de abril, só uma pessoa havia de fato pago US$ 1 milhão e recebido aprovação.

Por que o programa fracassou até agora?

O desempenho fraco contrasta com o discurso adotado por Trump e pelo secretário de Comércio, Howard Lutnick, desde o lançamento. Em 2025, a Casa Branca falava em números grandiosos: Lutnick chegou a mencionar potencial para vender 200 mil vistos e arrecadar US$ 1 trilhão. A promessa era tão ambiciosa que o programa foi apresentado como parte de uma estratégia para ajudar a equilibrar as contas públicas americanas.

Na prática, isso não aconteceu. Durante uma sabatina no Congresso no fim de abril, o próprio Lutnick reconheceu que apenas uma pessoa havia sido aprovada até aquele momento, embora tenha tentado defender a iniciativa afirmando que ainda existiriam centenas de casos em análise.

Há também dúvidas estruturais sobre a viabilidade do projeto. Uma reportagem da revista Fortune, citada pela DW, apontou que o universo de potenciais compradores é menor do que o discurso político sugere. Dados da consultoria Knight Frank estimam cerca de 713 mil pessoas no mundo com patrimônio superior a US$ 30 milhões — o público-alvo mais provável do programa. Só que mais de 40% dessas pessoas já vivem na América do Norte, o que reduz bastante o mercado real para esse tipo de visto.

Marketing político e imigração seletiva

Outro ponto que chamou atenção foi a estética e o discurso do programa. O site oficial usa o slogan “Desbloqueie a vida na América” e exibe um cartão dourado com o rosto de Trump, além de símbolos como a águia e a Estátua da Liberdade. O material também anuncia um futuro “Cartão Platina Trump”, de US$ 5 milhões, com promessa de permanência de até 270 dias nos EUA sem incidência de imposto americano sobre renda obtida fora do país.

Esse desenho reforça uma mensagem política clara: enquanto Trump manteve um discurso duro contra imigrantes sem status legal, mostrou abertura para uma imigração altamente seletiva, voltada a pessoas muito ricas. Ou seja, não se trata de facilitar a entrada de migrantes em geral, mas de criar uma espécie de atalho premium para quem pode pagar.

O que isso diz sobre imigração e desigualdade?

O caso do visto de Trump ajuda a expor uma contradição antiga nas políticas migratórias: fronteiras costumam ser muito mais flexíveis para o capital do que para pessoas comuns. Para a comunidade LGBTQ+, esse debate tem peso extra. Em diferentes países, migrar não é apenas uma decisão econômica, mas também uma busca por segurança, reconhecimento familiar e proteção contra discriminação.

Quando governos priorizam modelos baseados exclusivamente em riqueza, o recado é duro: direitos e oportunidades podem ficar mais acessíveis para quem tem milhões, enquanto refugiados, trabalhadores e famílias seguem enfrentando barreiras muito maiores. Isso não significa que todo programa de investimento seja ilegítimo, mas mostra como escolhas migratórias também são escolhas políticas e morais.

Na avaliação da redação do A Capa, o fracasso inicial do Gold Card revela não só uma conta malfeita da Casa Branca, mas também os limites de transformar residência, pertencimento e mobilidade em produto de luxo. Para brasileiros LGBTQ+ que acompanham políticas de imigração, o episódio serve como alerta: promessas grandiosas nem sempre significam inclusão real — e, muitas vezes, escondem modelos excludentes travestidos de modernização.

Perguntas Frequentes

Quantas pessoas conseguiram o visto Gold Card até agora?

Segundo números apresentados pelo governo dos EUA até o fim de abril de 2026, apenas uma pessoa pagou US$ 1 milhão e foi aprovada.

Qual é o valor do visto de Trump?

O programa principal exige pagamento de US$ 1 milhão para residência acelerada nos Estados Unidos, além de uma taxa inicial de processamento de US$ 15 mil em etapas anteriores.

O Gold Card substitui qual programa anterior?

A proposta foi criada para substituir o EB-5, visto americano que já existia e era vinculado a investimento em empresa com geração de empregos.


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