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SOL Sisters: A irmandade lésbica que marcou Ohio nos anos 80

Conheça a história do coletivo SOL, que transformou vidas e criou uma família escolhida para mulheres LGBTQIA+ em Ohio
SOL Sisters: A irmandade lésbica que marcou Ohio nos anos 80

Conheça a história do coletivo SOL, que transformou vidas e criou uma família escolhida para mulheres LGBTQIA+ em Ohio

Nos anos 1980, em Cincinnati, Ohio, um grupo especial de mulheres formou uma rede de apoio que ultrapassou o tempo e continua viva até hoje. Chamado SOL, que significa “Slightly Older Lesbians” (Lésbicas um Pouco Mais Velhas), esse coletivo reuniu mulheres LGBTQIA+ acima dos 30 anos para criar um espaço de acolhimento, troca de ideias e fortalecimento mútuo em uma época em que ser lésbica era cercado por medo e silêncio.

Uma família escolhida que transformou vidas

O SOL surgiu como resposta à invisibilidade e repressão enfrentadas por lésbicas que, muitas vezes, eram obrigadas a esconder sua identidade em seus ambientes profissionais e familiares. Karen Grote, Alayne Kazin e Nora Whitworth, integrantes desse coletivo, compartilham lembranças de encontros que eram mais do que reuniões sociais: eram momentos de verdadeira irmandade, onde podiam ser elas mesmas sem medo.

Entre potlucks, jogos de softball, acampamentos em parques estaduais e festas de pintura de casas, essas mulheres construíram uma verdadeira família escolhida. Para muitas, o SOL foi o primeiro lugar onde se assumiram oficialmente e encontraram suporte emocional e prático. “Antes de entrar no SOL, eu era casada com um homem. Essa experiência me ensinou que eu não preciso estar casada com um homem”, relembra Karen.

Resistência e conexão em tempos difíceis

Em um cenário dominado pelo preconceito, o grupo se reunia inicialmente nas casas das integrantes e depois em espaços feministas como a livraria comunitária Crazy Ladies, onde podiam se sentir seguras. Apesar do medo que permeava suas vidas, elas encontraram força na união e no cuidado mútuo. O SOL nunca foi formalmente um grupo de saúde mental, mas o apoio entre as mulheres ajudava a enfrentar os desafios diários.

Alayne destaca que o coletivo ajudou a construir autoconfiança e identidade num mundo predominantemente heteronormativo. “Foi um espaço para crescer, se conhecer e se reconhecer como mulher e lésbica.” Hoje, décadas depois, o grupo ainda mantém vínculos fortes, com encontros semanais que reforçam a importância da amizade e da solidariedade.

Legado e lições para as novas gerações

Com o passar dos anos e a maior visibilidade LGBTQIA+, grupos como o SOL foram se dissolvendo, mas seu impacto permanece. As integrantes alertam para a necessidade de resgatar esses espaços de acolhimento, especialmente diante dos ataques políticos frequentes aos direitos LGBTQIA+ e da crise de saúde mental que afeta jovens queer.

“A juventude LGBTQIA+ ainda enfrenta muita opressão, especialmente a comunidade trans, que sofre com violência e altos índices de suicídio”, lembra Karen. A mensagem delas é clara: construir comunidades fortes, apoiar umas às outras e criar redes de proteção é fundamental. “Esse espírito de fazer acontecer, de criar estruturas quando não existiam, ainda é necessário hoje.”

Mais do que uma história do passado, a trajetória das SOL Sisters é um convite para que a comunidade LGBTQIA+ reflita sobre a importância da sororidade e da resistência coletiva. Como diz Alayne, “ser parte de algo maior e ter pessoas que te aceitam pelo que você é sempre fez toda a diferença – e continua fazendo.”

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